Muitos
amigos leitores conhecem a frase: “Dai,
a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” atribuída a Jesus Cristo
nos evangelhos como resposta sobre a delicada questão do pagamento de impostos
aos Romanos.
Mas,
após esta colocação vamos falar sobre Umbanda.
Dias
atrás em um grupo de discussões que participo surgiu a conversa sobre eventos e
cursos cobrados e gratuitos referentes a religião Umbanda. Optei em não entrar
na conversa, reservando minhas opiniões para este momento.
Aprendemos
constantemente que Umbanda é caridade e nada se cobra. O Caboclo das Sete
Encruzilhadas nos deixou as mensagens:
“Umbanda
é a manifestação do espírito para a prática da caridade.”
“Aprender
com quem sabe mais e ensinar a quem sabe menos.”
Não
tenho ciência que o Caboclo orientou a cobrar ensinamentos e atendimentos
espirituais.
Sabemos
que o dom de mediunidade nos é dado de graça, e de graça devemos exercê-lo.
Mas,
e as despesas materiais para exercer a mediunidade?
Os
terreiros para se manterem, normalmente contam com a colaboração e doações dos
membros, médiuns e assistidos.
As
despesas como aluguel e contas de consumo, muitas vezes são arcadas pelo
próprio sacerdote do terreiro, que acaba buscando recursos em seu trabalho
material, tirando da sua vida pessoal o complemento financeiro para manter a
casa de caridade aberta.
Eu
apoio eventos que auxiliem os terreiros a arcar com suas despesas mensais, como
bingos, almoços, bazares, entre outros.
Também
acho maravilhoso, os ensinamentos sobre a Umbanda estarem ao alcance de todos.
Mas
de alguns anos para cá, iniciou-se uma verdadeira febre de cursos, workshops e
eventos sobre os mais variados temas da Umbanda.
Não
sou contra os terreiros cobrarem cursos, pois, ajuda nas despesas mensais. Mas,
vemos atualmente uma verdadeira banalização dos ensinamentos e fundamentos
divididos em cursos absurdos e fantasiosos muitas vezes, com o único intuito de
ganhar dinheiro, e não de levar ensinamentos.
Sim,
ganhar o dinheiro é essencial como já disse, pois as instituições tem diversas despesas;
não somente de aluguel e contas de consumo, mas de materiais de higiene e
limpeza, de materiais litúrgicos, etc.
Em
contrapartida, alguns sacerdotes não se utilizam mais do trabalho material para
seu sustento, e sim, vem se utilizando da Umbanda através de cursos, workshops
e eventos, não somente para manter a instituição religiosa, mas para arcar com
sua vida pessoal, suas despesas e luxos inclusive.
Não
sou hipócrita, pois ganho dinheiro com as religiões, não somente com a Umbanda,
com outras religiões também, sou escultor religioso e comercializo esculturas
além de alguns outros itens religiosos.
Mas,
não exploro a fé e nem o desconhecimento das pessoas.
Não
exijo aos filhos de santo que adquiram comigo esculturas ou outros artigos. Não
exijo que tenham esculturas em casa para aumentar minhas vendas, ao contrário,
se for necessário ou queiram ter suas esculturas, estimulo a procurarem o
melhor preço, que caiba eu seu orçamento.
Também
sempre ofereci cursos gratuitos em nosso terreiro, inclusive anos atrás gerei
polêmica e desavenças, quando ofereci gratuitamente um curso que rendeu boas
quantias para alguns bolsos que se denominavam os “Doutores da Lei” no meio da
religião.
A
febre existente hoje de cursos e workshops obriga os adeptos a terem seus
diplomas, desta forma, não se segue mais uma doutrina por amor e caridade, se
compra diplomas e se causa assim uma expansão banalizada e desorientada.
Culpa
disso também está nas mentes de muitos que procuram os terreiros pelo
maravilhismo. Não buscando seu desenvolvimento mediúnico e evolução, e sim,
procurando um cargo de destaque dentro de uma casa espiritual, ou, desejando em
pouco tempo abrir a sua própria casa.
Tal
prova disso, é que os valores cobrados em cursos são tratados como
investimento, pois já colocam nas mentes capitalistas e aproveitadoras a
certeza que irão recuperar seu investimento oferecendo o curso a outros assim
que estiverem com seus diplomas nas paredes.
E
a febre de eventos; é maravilhosa, pois divulga e expande a religião Umbanda.
É
excelente para que a Umbanda se destaque na sociedade.
Mas,
com o vírus de eventos e cursos infectando a religião, a Umbanda por si só está
virando uma vitrine comercial aonde quem não tem capital para investir fica
parado na evolução, ou busca ensinamentos que confundem a muitos na diversidade
da internet.
Também
concordo que um evento muitas vezes precisa de capital para aluguel, decoração,
coquetel, etc. Mas, vemos acontecer alguns eventos que fogem a realidade das
despesas e certamente servem para alguns aproveitadores reverterem em sua vida
pessoal.
E
a assistência social? Isto sim falta na Umbanda.
Não
vejo os terreiros ou administradores dos eventos reverterem capital que sobra
de eventos em assistência social.
Claro,
não posso generalizar, muitos sacerdotes e terreiros caminham no vermelho sempre,
muitos fazem assistência social, muitos oferecem cursos gratuitos, e muitos
cobram o suficiente para arcar com despesas, revertendo o que sobra em
assistência social. Muitos inclusive não cobram cursos de quem tem interesse em
fazer e não podem pagar.
Enfim,
precisamos rever os valores da religião.
E
acima de tudo escutar os mentores e guias chefes sobre a questão do dinheiro.
Vamos
conversar internamente com nosso coração e nossa mente, e concluir até que
ponto arrecadar dinheiro usando o nome da Umbanda é necessidade para levar a
bandeira de Oxalá ou conveniência em benefício próprio.
Fica
a frase de Jesus como exemplo para nossa própria expiação.
Hélio
DoganelliFilho ( Pai Hélinho de Oxalá )
Dirigente
Espiritual do Centro
de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola
Poeta
e Escritor Umbandista / Artista
Plástico e Escultor Religioso
Baixe gratuitamente a revista no site - http://www.umbandavale.com.br

Nenhum comentário:
Postar um comentário