quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

ESCULTURAS NA UMBANDA



A intolerância religiosa de fanáticos vem há anos perseguindo a umbanda de muitas formas.
A Bíblia, tida como escrituras sagradas por algumas religiões, sempre foi e ainda é, usada como arma de ataque a toda e qualquer forma de crença e culto divergente à tal pregação.
Exemplo disto são os textos onde “Deus” proíbe aos homens fazerem esculturas para simbolizar a Divindade.
Seria isso uma forma de egoísmo, ciúmes ou autoritarismo de Deus sobre a humanidade?
De forma alguma venho julgar ao Criador, mas sim, tentar junto a você leitor, formular um pensamento lógico e fundamentado sobre Deus e os textos bíblicos que tanto servem para atacar nossa religião.
Alguns textos são apavorantes e proíbem que sejam feitas imagens de qualquer animal da terra, do ar e do mar.
Pergunto então, porque os mesmos fanáticos que perseguem a Umbanda com estes textos sobre esculturas, e afirmam não usar nenhum tipo de imagem que faça referência nem a Jesus, possuem por todos os cantos de sua rotina, imagens, adesivos, chaveiros, e uma infinidade de outros itens de uma formiga desmilinguida que segura plaquinhas dizendo “Jesus te ama” entre outras frases?
E a religião católica, que tem por princípio a Bíblia. Porque não respeita essas menções sagradas de Deus, e mantém em todos os cantos das Igrejas diversas formas de esculturas desenvolvidas nos mais diversos tipos de materiais? Imagens com referência a Jesus em todos seus passos, e imagens de todos santos e beatos.
A imposição católica na conversão religiosa dos escravos os fez aceitar as esculturas católicas e associar aos orixás de suas culturas, desta forma continuaram prestando o culto de uma maneira figurada.
Interessante pensar, e entender, portanto, que as imagens existentes até hoje em nossos terreiros, tiveram origem pela imposição religiosa, de uma religião que condena o uso de esculturas com base no próprio livro sagrado e doutrinário.
Vamos pensar também que, se crermos nos textos bíblicos, Deus não sentia ciúmes ou egoísmo como cogitamos linhas atrás, e sim, deixava claro aos homens que não houvesse idolatria.
Mas se egoísmo e ciúmes são sentimentos que não cabem a Deus, por ser o criador de tudo, onipotente, onisciente e onipresente. Porque o maior mandamento exige que se ame a Deus sobre todas as coisas? Isso não é idolatria?
Vamos deixar essa questão para um artigo futuro e voltar a falar das esculturas nos terreiros de umbanda.
Se a origem de esculturas em nossos altares foi da forma descrita acima, precisamos mantê-las até hoje?
Muitos sacerdotes de Umbanda afirmam que não é preciso mais manter esculturas em nossos altares e dizem que com o tempo realmente isso será extinto da religião.
Concordo com estas afirmativas quando creio que Umbanda é culto a natureza, culto aos orixás, manifestação dos espíritos para a prática da caridade, e através de fluidos dos elementos naturais nos traz harmonia e equilíbrio energético.
Sendo assim, a imagem religiosa pode ser vista simplesmente como uma peça de arte e decoração dentro dos terreiros?
Primeiramente a ativação da fé na grande maioria das pessoas precisa de um estimulo visual. Falar com o caboclo ou exu, sem conhecer sua aparência e características, para muitos, não é o suficiente para criar uma ligação energética, que ative as forças necessárias para se cumprir o que é preciso ao assistido.
Além disso, nossa grande diretriz é crer que a umbanda tem fundamento.
Então qual é o fundamento das esculturas em nossa crença religiosa?
A escultura por si só realmente é uma peça decorativa, que muitos adquirem por simpatizarem com determinada entidade, e desejam ter em seus lares o simbolismo da mesma, para ativação de sua fé visual ao rezarem.
Nos altares em muitos terreiros são usadas como pontos de força, na irradiação de energias de harmonia e equilíbrio, e como proteção na absorção de energias densas e negativas nas tronqueiras ou casas de exu.
Mas, para terem fundamento na umbanda, as esculturas devem ser preparadas para compor um terreiro e ter a função de portal energético.
Deve ser rezada e consagrada ao criador, e ao orixá ou guia que a represente.
Alguns sacerdotes mais antigos furavam embaixo das esculturas, e assentavam dentro dela elementos naturais, referentes a energia que ela representava. Algumas sementes, folhas secas, pedras, palha da costa, pó de pemba, etc.
Conforme a escultura, o guia chefe ou o sacerdote do terreiro, determinava quais elementos deveriam ser assentados, em seguida, o furo era tapado com gesso ou argila.
O Guia chefe cruzava cada imagem com pemba, entoando pontos cantados e imantando a mesma na energia de seus elementos de uso e velas firmadas.
Só após procedimentos assim ou semelhantes a estes, as esculturas estavam fundamentadas e energizadas, para compor o seu espaço no altar ou em outros pontos do terreiro de umbanda, cumprindo sua função de portal energético.
Fundamentos esclarecidos e observada a questão da fé visual, devemos ainda pensar que a umbanda ainda é uma religião nova, que vem aos poucos desvinculando dogmas de outras religiões e apresentando conceitos próprios.
Mas, existe também a tradição passada de geração em geração que mantém vivo o sincretismo religioso e o uso das esculturas nos terreiros.
E, além das esculturas católicas que compõem os altares de umbanda, esculturas de orixás vem sendo desenvolvidas constantemente. Assim como de todas entidades militantes em todas as falanges e linhas de trabalho da religião.
Quando os guias começaram a narrar e demonstrar nos terreiros suas descrições e características, a indústria e o comércio religioso começou a desenvolver as infinidades de imagens existentes.
Porém, padronizaram esculturas de determinados entidades, colocando como regra que toda falange seria da mesma forma.
Na atualidade, desenvolvemos para a mesma falange esculturas diferentes, conforme a descrição do guia manifestado ou pela intuição do médium através de um desenho. Pois, sabemos que cada ser é uma individualidade, embora se apresente com o nome da falange que representa.
Irmãos leitores, concluo dizendo que, para ativar a energia sagrada no universo, tudo é válido, desde que tenha fundamento. Vamos sempre respeitar a diversidade existente na umbanda. Axé!

Hélio DoganelliFilho ( Pai Hélinho de Oxalá )
Dirigente Espiritual do Centro de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola
Poeta e Escritor Umbandista / Artista Plástico e Escultor Religioso

Texto publicado na Revista do Leitor Umbandista / Edição 07 - Dezembro/2018
Baixe a revista gratuitamente no site - http://www.umbandavale.com.br

À DEUS, O QUE É DE DEUS



Muitos amigos leitores conhecem a frase: “Dai, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” atribuída a Jesus Cristo nos evangelhos como resposta sobre a delicada questão do pagamento de impostos aos Romanos.

Mas, após esta colocação vamos falar sobre Umbanda.
Dias atrás em um grupo de discussões que participo surgiu a conversa sobre eventos e cursos cobrados e gratuitos referentes a religião Umbanda. Optei em não entrar na conversa, reservando minhas opiniões para este momento.

Aprendemos constantemente que Umbanda é caridade e nada se cobra. O Caboclo das Sete Encruzilhadas nos deixou as mensagens:
“Umbanda é a manifestação do espírito para a prática da caridade.”
“Aprender com quem sabe mais e ensinar a quem sabe menos.”
Não tenho ciência que o Caboclo orientou a cobrar ensinamentos e atendimentos espirituais.

Sabemos que o dom de mediunidade nos é dado de graça, e de graça devemos exercê-lo.
Mas, e as despesas materiais para exercer a mediunidade?

Os terreiros para se manterem, normalmente contam com a colaboração e doações dos membros, médiuns e assistidos.
As despesas como aluguel e contas de consumo, muitas vezes são arcadas pelo próprio sacerdote do terreiro, que acaba buscando recursos em seu trabalho material, tirando da sua vida pessoal o complemento financeiro para manter a casa de caridade aberta.

Eu apoio eventos que auxiliem os terreiros a arcar com suas despesas mensais, como bingos, almoços, bazares, entre outros.
Também acho maravilhoso, os ensinamentos sobre a Umbanda estarem ao alcance de todos.
Mas de alguns anos para cá, iniciou-se uma verdadeira febre de cursos, workshops e eventos sobre os mais variados temas da Umbanda.

Não sou contra os terreiros cobrarem cursos, pois, ajuda nas despesas mensais. Mas, vemos atualmente uma verdadeira banalização dos ensinamentos e fundamentos divididos em cursos absurdos e fantasiosos muitas vezes, com o único intuito de ganhar dinheiro, e não de levar ensinamentos.
Sim, ganhar o dinheiro é essencial como já disse, pois as instituições tem diversas despesas; não somente de aluguel e contas de consumo, mas de materiais de higiene e limpeza, de materiais litúrgicos, etc.

Em contrapartida, alguns sacerdotes não se utilizam mais do trabalho material para seu sustento, e sim, vem se utilizando da Umbanda através de cursos, workshops e eventos, não somente para manter a instituição religiosa, mas para arcar com sua vida pessoal, suas despesas e luxos inclusive.

Não sou hipócrita, pois ganho dinheiro com as religiões, não somente com a Umbanda, com outras religiões também, sou escultor religioso e comercializo esculturas além de alguns outros itens religiosos.
Mas, não exploro a fé e nem o desconhecimento das pessoas.
Não exijo aos filhos de santo que adquiram comigo esculturas ou outros artigos. Não exijo que tenham esculturas em casa para aumentar minhas vendas, ao contrário, se for necessário ou queiram ter suas esculturas, estimulo a procurarem o melhor preço, que caiba eu seu orçamento.
Também sempre ofereci cursos gratuitos em nosso terreiro, inclusive anos atrás gerei polêmica e desavenças, quando ofereci gratuitamente um curso que rendeu boas quantias para alguns bolsos que se denominavam os “Doutores da Lei” no meio da religião.

A febre existente hoje de cursos e workshops obriga os adeptos a terem seus diplomas, desta forma, não se segue mais uma doutrina por amor e caridade, se compra diplomas e se causa assim uma expansão banalizada e desorientada.
Culpa disso também está nas mentes de muitos que procuram os terreiros pelo maravilhismo. Não buscando seu desenvolvimento mediúnico e evolução, e sim, procurando um cargo de destaque dentro de uma casa espiritual, ou, desejando em pouco tempo abrir a sua própria casa.

Tal prova disso, é que os valores cobrados em cursos são tratados como investimento, pois já colocam nas mentes capitalistas e aproveitadoras a certeza que irão recuperar seu investimento oferecendo o curso a outros assim que estiverem com seus diplomas nas paredes.

E a febre de eventos; é maravilhosa, pois divulga e expande a religião Umbanda.
É excelente para que a Umbanda se destaque na sociedade.
Mas, com o vírus de eventos e cursos infectando a religião, a Umbanda por si só está virando uma vitrine comercial aonde quem não tem capital para investir fica parado na evolução, ou busca ensinamentos que confundem a muitos na diversidade da internet.
Também concordo que um evento muitas vezes precisa de capital para aluguel, decoração, coquetel, etc. Mas, vemos acontecer alguns eventos que fogem a realidade das despesas e certamente servem para alguns aproveitadores reverterem em sua vida pessoal.

E a assistência social? Isto sim falta na Umbanda.
Não vejo os terreiros ou administradores dos eventos reverterem capital que sobra de eventos em assistência social.
Claro, não posso generalizar, muitos sacerdotes e terreiros caminham no vermelho sempre, muitos fazem assistência social, muitos oferecem cursos gratuitos, e muitos cobram o suficiente para arcar com despesas, revertendo o que sobra em assistência social. Muitos inclusive não cobram cursos de quem tem interesse em fazer e não podem pagar.

Enfim, precisamos rever os valores da religião.
E acima de tudo escutar os mentores e guias chefes sobre a questão do dinheiro.
Vamos conversar internamente com nosso coração e nossa mente, e concluir até que ponto arrecadar dinheiro usando o nome da Umbanda é necessidade para levar a bandeira de Oxalá ou conveniência em benefício próprio.

Fica a frase de Jesus como exemplo para nossa própria expiação.


Hélio DoganelliFilho ( Pai Hélinho de Oxalá )
Dirigente Espiritual do Centro de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola
Poeta e Escritor Umbandista / Artista Plástico e Escultor Religioso

Texto Publicado na Revista do Leitor Umbandista / Edição 06 - Novembro/2018
Baixe gratuitamente a revista no site - http://www.umbandavale.com.br

SURRA DOS ORIXÁS



Eu me recordo de quando iniciei na Umbanda, ouvia muito no Terreiro a frase:
“- Você está devendo obrigação. Por isso sempre está apanhando dos Orixás.”
Não só direcionada a mim no início de desenvolvimento mediúnico, mas aos outros filhos de fé também. Se algo na sua vida não dava certo, era surra do orixá.
E, até hoje ouvimos em muitos terreiros essas frases, tentando justificar que caminhos fechados e problemas materiais são surras dos orixás e guias.

Algumas pessoas me questionam sobre isso.
“- Se os guias e orixás são bons. Porque tanta surra e caminhos fechados?”
E muitas pessoas concluem logo que orixás e guias são seres negativos, e inclusive deixam a religião pelo medo, pelo desentendimento. E muitas vezes por não aceitarem suas provações culpando os guias e orixás, que já estão um tanto denegridos por outras religiões que buscam diariamente aumentar seu quadro de fiéis.

O medo e a falta de conhecimento dentro da religião de Umbanda devem ficar no passado, pois, atualmente a religião se demonstra aberta a todos que querem conhecê-la e estudá-la. Ressalto apenas que o estudo teórico deve estar caminhando junto com a prática mediúnica.
Anos atrás o conhecimento era fechado aos sacerdotes e às pessoas que tinham missão sacerdotal. Embora eu acredite que a missão sacerdotal deva ser confirmada espiritualmente. O que quero definir em poucas palavras é que, alguns sacerdotes antigamente manipulavam adeptos pelo medo e pelo desconhecimento do oculto, impregnando na corrente mediúnica a idéia da surra dos orixás.

Eu venho afirmar que não existe surra dos orixás.
Existe sim o desequilíbrio do médium em sua conduta diária, ou descaso com sua vida espiritual e com seu desenvolvimento mediúnico.

Na Umbanda, nossa ligação com a criação nos coloca em contato com a energia divina e com a manipulação energética dos elementos naturais. Esta magia constante se demonstra através da manifestação dos guias e orixás e nos fenômenos mediúnicos.
É parte do equilíbrio no planeta todo ser humano ter em si o bem e o mal, mas cada qual escolhe por seguir o caminho mais positivo ou o mais negativo.
Entendemos que o pensamento é energia em ação, e se vibramos bons pensamentos atraímos coisas boas, enquanto se vibrarmos pensamentos negativos, conseqüentemente, teremos afinidades negativas se ligando a nós.
E assim se conclui que através da fé mantemos o equilíbrio constante em nossas vidas para prosseguir na caminhada.

Desta forma reafirmo que orixás e guias não dão surra em ninguém.
São divindades e entidades de muita luz que nos acompanham constantemente, se desdobrando muitas vezes para nos direcionar no melhor caminho, e nos intuem sempre para que possamos exalar boas energias e estar em equilíbrio espiritual.

A mediunidade descontrolada e mal desenvolvida, nos leva ao constante desequilíbrio e distanciamento das forças divinas. Sendo assim, as surras que levamos na vida são presentes de nossas próprias escolhas, através de nosso mental e de nosso emocional desequilibrados.
Não aceitar a missão espiritual, o descompromisso com a própria mediunidade, a blasfêmia contra a criação e os seres iluminados que nos dão sustenção, nos faz caminhar a beira de um abismo onde forças maléficas estão prontas a nos sugar para a escuridão, e assim, cada vez mais seremos levados a cegueira espiritual.

A Umbanda, os Orixás e guias querem a nossa fé e reverência ao criador e a energia sagrada que emana no universo. Fé é sinônimo de amor e dedicação a Deus e aos fundamentos da religião que se propõe a praticar.
Dar obrigação aos orixás deve ser entendido como mais uma forma de reverência, que demonstra o compromisso, a dedicação, o amor; e nos faz emancipar a fé propiciando o equilíbrio espiritual, que reflete em nossa vida material e faz sim as portas se abrirem.

Devemos deixar de olhar a obrigação aos Orixás como algo negativo, que, se não for executada seremos punidos por eles.
E entender que a maior obrigação que devemos ter é conosco mesmo, a nossa obrigação de manter a fé todos os dias, em todos os momentos e em todas as circunstâncias.

Assim teremos a certeza que não existe surra dos Orixás.

  
Hélio DoganelliFilho ( Pai Hélinho de Oxalá )
Dirigente Espiritual do Centro de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola
Poeta e Escritor Umbandista / Artista Plástico e Escultor Religioso

Texto publicado na Revista do Leitor Umbandista / Edição 05 - Outubro/2018
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OS INCAUTOS



Gosto de escrever geralmente sobre temas de evolução e reforma íntima e que sejam baseados nas minhas experiências pessoais.
Hoje falarei sobre mais uma experiência que presenciei, porém, em tom crítico e com sinal de dúvidas há determinados pontos que vou relatar.

Primeiramente vamos reunir informações para entendermos mais o assunto.
Incauto é aquele que não tem cautela, descuidado, imprudente, destituído de malícia, crédulo, ingênuo.
Fluido vital é um fluído meio grosseiro e encontrado apenas nos seres orgânicos, e é responsável pela animalização da matéria nos seres vivos.
Espíritos obsessores, vampirizadores energéticos, espíritos trevosos, quiumbas, enfim; são seres sugadores de fluído vital.
Velas são elementos para ativar e enviar a alguém ou a si mesmo, energias vibratórias positivas através da oração e da intenção pelos pensamentos, alguns usam as velas também para manipular energias negativas.

Quando falamos de despacho de descarrego ou ebó, entendemos que o alguidar com os elementos é um recipiente que segura energias negativas da pessoa que foi tratada espiritualmente dos males que tinha.
Parte desta energia é direcionada aos seus lugares de merecimento durante a limpeza, mas parte dela fica neste recipiente que leva o descarrego, pois não pode ser simplesmente dissipada no universo e de certa forma deve existir em nosso padrão vibratório, inclusive para haver equilíbrio energético.
E junto ao recipiente, outros elementos são deixados: O marafo, o maço de cigarros e até mesmo notas de dinheiro (moeda corrente). Estes se tornam a isca ao incauto que ao retirar um destes elementos é fisgado pela energia retida ali.
O incauto é o novo doador de fluido vital para algumas forças que ali estão ligadas continuarem sendo alimentadas, até que se esgote o seu mental e o leve a morte prematura por alguma doença, ou mesmo ao suicídio, ou até que o incauto consiga de alguma forma se livrar desta ligação energética.
Falei de um caso muito comum e que ocorre constantemente.

Há cerca de trinta anos atrás em trabalho de quimbanda para cortar magia negativa direcionada a uma mulher, presenciei uma galinha ser ressuscitada após mais de uma hora de sua morte, ela pulou e saiu correndo porta afora quando o quiumba recebeu ordens para pegar o que lhe pertencia e ir embora dali.
Enfim, não convém e não é o momento de contar detalhes desse fenômeno, estou dando exemplos de desligamento de energias e como são transportadas para recipientes até que o incauto as adquira para continuar a absorção de fluido vital.
Neste caso, a galinha foi o recipiente e o incauto, pois reteve nela a energia negativa e por possuir fluido vital se torna a doadora da zona trevosa.

Pergunto aos leitores: Crianças de dois a dez anos são incautos?
Eu tenho certeza disso. São ingênuas e desprovidos de malicia, por isso muitos terreiros não deixam que participem de determinados trabalhos.

Presenciei esses dias uma gira de baianos em que a baiana incorporada em sua médium foi fazer um tratamento de saúde à distância para determinado homem.
A baiana solicitou três crianças da assistência para o trabalho; para elas representarem Cosme, Damião e Doum. Pediu as crianças que segurassem ao mesmo tempo a camisa do homem doente que fora levada ao terreiro.
Enquanto fazia seus movimentos energéticos, a baiana cantava pontos de Cosme, Damião e Doum em intenção ao homem.
Assim, após os procedimentos terminados, cada criança saiu dali com uma vela branca que a baiana os deu, com a instrução de que naquela mesma noite antes de dormirem, acendessem a vela e fizessem a oração do pai nosso em intenção ao Senhor adoentado.

Uma criança com nove anos até acende a vela, mas com seis ou com dois anos não. Com dois anos nem fará a oração, com seis talvez. Mas, o pai ou a mãe poderiam auxiliar para acender a vela e orar, ativando a energia preparada pela baiana.

Pela lógica e pelas informações que relacionamos no início do texto, a criança é ingênua e sem malicia, ou seja, o incauto.
A camisa é o recipiente coletor e condutor das energias negativas ligadas ao homem e foi oferecida as crianças para que segurassem e assim se ligarem as energias.
Ao acenderem a vela e orar ao homem, simplesmente se tornam doadoras de fluido vital para as energias que consumiam o homem.

Certo ou errado Leitor?
Porque não fazer um ebó ao homem doente?
Ou trabalhar na corrente de Obaluaê para cura do mesmo?

No meu ponto de vista foi um trabalho de má fé efetuado por pessoa conhecedora da manipulação energética.
O Sacerdote Mor talvez tenha outro discernimento sobre o assunto, ou talvez nenhum, ou pode ter feito vista grossa. Assim como Pais e Mães pequenos, cambones e guias chefes que estavam em atendimento. 
Irmão leitor. Me chamem no whatsapp pelo contato no final da página.
Me tragam outros ensinamentos, outros esclarecimentos, suas opiniões sobre esse trabalho em que a baiana utilizou-se das crianças.
Seja você sacerdote, médium, cambone ou simpatizante. Não importa. Me de seu ponto de vista, pois preciso ter outra visão sobre o assunto para tirar essa impressão negativa que formei.
Axé a todos
  

Hélio DoganelliFilho ( Pai Hélinho de Oxalá )
Dirigente Espiritual do Centro de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola
Poeta e Escritor Umbandista / Artista Plástico e Escultor Religioso

Texto publicado na Revista do Leitor Umbandista / Edição 04 - Setembro/2018
Baixe a revista gratuitamente no site - http:// www.umbandavale.com.br

FIZERAM TRABALHO PARA MIM



É comum e constante, diversas pessoas procurarem os Terreiros de Umbanda com a seguinte frase fixada na mente: “Fizeram trabalho para mim!”
É certo que as dificuldades existem na vida de todos os seres humanos.
Também tenho a certeza por vivência que o mal existe, e que muitos casos de dificuldades diversas são realmente provocados por magia negativa direcionados a outras pessoas, por diversos motivos pessoais que se resumem simplesmente em maldade.

Muitos procuram os Sacerdotes de Umbanda dizendo que o marido ou esposa os deixou por trabalho feito por alguém. Que outra pessoa fez amarração amorosa e levou seu parceiro. Que outra pessoa fez feitiço para seu companheiro sentir raiva e repugnância por ela.
Outros dizem que não conseguem trabalho.
Que não conseguem amor de ninguém.
Que não conseguem ser feliz.
Que nada da certo.
Nenhuma porta se abre, nenhum caminho se ilumina.

Muitos sentem que a saúde esta debilitada.
E sempre com a idéia fixa que existe um trabalho de magia negativa feito por alguém que sente inimizade, por alguém que inveja sua vida.
Outros procuram a Umbanda desejando amarração amorosa, pactos com diabo e pontos de morte para outras pessoas.

Nada disso é Umbanda, venho lhes afirmar.
A Umbanda não faz trabalhos negativos e nem de amarração.
Pelo contrário, a Umbanda esta sim a disposição de quem a procurar para desfazer qualquer tipo de feitiço negativo que venha a existir.

Alguns desocupados levam as suas vidas parasitas fazendo trabalhos assim, e denominando muitas vezes esses cultos chulos e perversos por umbanda.
E esses lugares, ao constatarem a fragilidade de quem os procura, ajudam a impregnar no mental da pessoa a idéia de que alguém realmente esta lhe enviando magias negativas, alguém esta pagando para destruir essa pessoa de alguma forma.
Esses exploradores da fé causam tanto mal as pessoas que os procuram, que estas acabam por vezes pagando altos valores para se verem livres da inexistente magia negativa, sem entenderem que a indução mental do charlatão os filiou mentalmente a forças negativas.
E assim, chegam aos terreiros de Umbanda com a idéia fixa que os caminhos estão fechados por trabalhos negativos que alguém fez, desacreditando da pureza da Umbanda e esperando receitas mágicas para mudarem a vida do dia para noite.
Chegam aos terreiros já com o nome de seus supostos inimigos, ou da mulher que roubou seu noivo, ou do invejoso que quer ter a vida semelhante a sua.

Vamos refletir em nossos atos diários.
Vamos entender porque nosso marido ou esposa nos deixou e esta com outra pessoa? A resposta é simples, por que não estava feliz conosco, e pelo seu livre arbítrio foi procurar a felicidade com outro alguém. Não por trabalho de magia.
E nós. Não somos capazes de encontrar alguém ou reconquistar nosso companheiro? Sim, nós somos. E sem recorrer a amarrações e magias de atração.
Temos que acreditar em nossa capacidade, em nossa beleza interior e exterior.
E trabalho e nossa vida financeira que não melhora?
São milhões de pessoas sem trabalho em nosso país. E nossa formação e experiência nos permitem encontrar trabalho em meio a tantos desempregados?
Tudo é questionável. Tudo pode ser conseqüência do momento.
E é muito fácil colocarmos a culpa em magia negativa, ou mesmo no diabo em algumas religiões. Nunca culpamos a nós mesmos.
E nossa saúde? Cuidamos do nosso corpo e de nossa alimentação, de nossa mente, de nosso sistema nervoso? Consultamos o médico para acompanhar rotineiramente?
Claro que concordo que várias dificuldades financeiras e as correrias da vida diária nos impedem às vezes de termos a alimentação correta, e tudo isso também prejudica nossa mente e nosso sistema nervoso com stress.
.
Como disse, existem sim trabalhos de magia negativa para destruir amor, saúde, trabalho; feitiços trevosos ativados a partir da perversidade de alguns para destruir a vida de outros, muitas vezes por pura maldade realmente.
Mas, isso os guias e mentores no terreiro irão diagnosticar quando o assistido passar em consulta na gira, e com certeza farão os tratamentos necessários para cortar qualquer energia negativa que nos tenha sido direcionada, devolvendo nosso equilíbrio.
Se suspeitarmos de qualquer energia negativa direcionada a nós, vamos sim procurar ajuda em um Terreiro de Umbanda. Mas, procuremos também essa religião maravilhosa para aprendermos, evoluirmos e mantermos nossa boa sintonia espiritual.

Vamos refletir e entender que a pior magia negativa é a nossa vibração mental.
Se colocarmos na cabeça a idéia que existe um mal, uma negatividade nos travando qualquer caminho, essa vibração naturalmente irá se filiar as afinidades espirituais negativas que se aproximam para sustentar o negativismo e sugar energias vitais de nós.
Concluímos assim, que nós mesmos provocamos a maioria dos males que nos aflige através da ligação mental negativa.
E que na maioria das vezes, não fizeram trabalho para mim.


Hélio Doganelli Filho ( Pai Hélinho de Oxalá )
Dirigente Espiritual do Centro de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola
Poeta e Escritor Umbandista / Artista Plástico e Escultor Religioso

Texto publicado na Revista do Leitor Umbandista / Edição 03 - Agosto/2018
Baixe a revista gratuitamente no site - http://www.umbandavale.com.br

O PESO DAS GUIAS QUE CARREGA




Certa vez, visitando o Terreiro de Umbanda de estimado amigo Sacerdote, eu me encontrava como todo ser humano, cercado em desventuras e mazelas que a vida nos presenteia para evolução e aprendizado.
Ao me queixar com o Preto Velho sobre os infortúnios que estava vivenciando, desejava uma luz no caminho para imediatamente solucionar tudo que me atormentava.
O iluminado guia me olhou fixamente através dos olhos materiais do médium que o intermediava, penetrando no mais íntimo do meu ser e rasgando a minha mente e a minha alma com uma simples pergunta:
“- Zinfio sabe o peso das guias que carrega?”
Naquele momento abaixei a cabeça em reflexão ofertando lágrimas a mim mesmo, sem saber como responder a pergunta do Preto Velho.
Com sabedoria milenar ele prosseguiu a conversa me aconselhando, oferecendo assim lembranças de minha posição e de minhas juras de amor enquanto Sacerdote Umbandista, médium e religioso, simples espírito encarnado buscando os degraus evolutivos assim como todos os seres humanos na Terra.
Tudo o que me disse me trouxe ensinamentos, e tamanha foi a iluminação que me proporcionou esta entidade, que pude mudar o padrão vibratório que me encontrava, saindo da penumbra e resgatando as esperanças adormecidas.
Venho hoje compartilhar aos irmãos leitores a sábia pergunta do Preto Velho e minhas reflexões sobre o assunto.
- Irmãs e irmãos leitores. Vocês sabem o peso das guias que carregam?
Claro que esta pergunta não retrata o peso material e sim o peso moral e espiritual, mas vamos sim, primeiramente falar um pouco sobre o peso material, creio que a partir disso iremos ter uma boa reflexão sobre o peso energético que carregamos.
Antes quero dizer que não sou dono da verdade, mas tenho a minha verdade pessoal.
Sou estudioso da religião Umbanda e tenho meu seguimento doutrinário, e não me oponho a nenhuma vertente de umbanda desde que seja fundamentada e respeitosa.
Estudando sou observador e crítico com relação à isenção de fundamentos e respeito de alguns infiltrados, que desta forma denigrem a Umbanda e transformam em chacota os mais iluminados dos Terreiros e os mais sérios dos Sacerdotes.
Não tenho pretensão de julgar ninguém, pois não quero ser julgado. E pela ética não vou citar nomes de pessoas ou templos, mas, talvez algum amigo leitor se sinta encapuzado por minhas observações relatadas a seguir.
Sendo assim, inicio meus comentários sobre o peso material falando que já vi e vejo em determinados terreiros médiuns que chegam a ficar arcados pelo peso material das guias em seu pescoço.
Alguns destes tentam mostrar seu grau sacerdotal ou impor respeito pelo tempo que estão na religião através da quantidade de guias e brajás que carregam.
Vejo médiuns de umbanda simplesmente comprando em lojas de artigos os mais diversos tipos de guias, e sem preparar as mesmas usam como adornos no pescoço, sem conhecer o real fundamento de cada cordão, de cada guia, de cada brajá...
Alguns aproveitadores inclusive comercializam cordões de acrílico como sendo de cristal ou porcelana. E pelo que entendo o acrílico não retém energia, não sendo, portanto, material apropriado para montagem de guias religiosas.
Quando iniciei na Umbanda, o Pai ou a Mãe Espiritual na devida época de cada médium lhe determinava qual a guia poderia usar.
Desde a guia de minúsculas missanguinhas até a guia de sete linhas de oito ou dez milímetros, do brajá enrolado de três fios até o trançado de sete fios, cada médium era instruído como fazer.
Cada um comprava os materiais e os descarregava de energias contidas, em seguida montava com as próprias mãos seu fio de contas, impregnando no cordão seu amor e sua energia. Após montado o mesmo era preparado com firmezas de velas e banhos de ervas. Eram deixados no tempo e no sereno da noite. Ao final eram levados ao guia chefe do terreiro para ser confirmado e cruzado, somente então era permitido o uso pelo médium.
Esse é um dos exemplos que conheci e vivenciei, mas cada casa tinha seu fundamento conforme a doutrina seguida, dentro da lei de comprometimento e amor com a energia oculta e sagrada da religião.
As entidades também faziam tudo na devida época; solicitavam seus cordões de trabalho e descreviam quais elementos eram necessários e como deveria ser preparado e fundamentado o cordão.
Atualmente além das guias serem adquiridas pelas pessoas como adornos sem fundamentos, alguns médiuns nos comércios já compram guias padronizadas para as entidades de sua coroa trabalharem nas giras.
Muitos terreiros tinham cabideiros dentro do conga com os lugares nomeados de cada médium, e as guias somente saiam do espaço sagrado quando o terreiro fazia festas na mata ou na praia, ou alguma obrigação necessária.
As mesmas eram usadas após a defumação e os médiuns baterem cabeça e pedirem a benção ao Pai ou Mãe da casa espiritual. Ao final da gira, cada médium agradecia a Oxalá e deixava novamente suas guias no espaço determinado a ele.
Presenciei terreiros com doutrina diferente, em que os médiuns levavam para casa suas guias dentro dos bornás próprios, e ficavam guardadas até a próxima gira, aonde só eram usadas sempre após serem defumadas e ao final da gira voltavam para dentro do borná. Inclusive eram separadas em bornás brancos para as guias de orixás e pretos para guias de exus e pombagiras. Havia também um borná para cada entidade que trabalhasse na gira, com a cor determinada aonde carregava seu cordão e seus outros elementos de trabalho.
Borná para ficar esclarecido, era a denominação dada a uma espécie de saquinho feito de cetim ou outro pano apropriado, com um cordão que lhe permitia permanecer fechado.
Nos dias atuais, além das guias serem compradas como adornos como já disse, sem preparação e sem fundamentos são usadas, da mesma forma são deixadas em qualquer lugar pelos médiuns, qualquer pessoa coloca as mãos, médiuns saem da corrente no meio do trabalho para irem ao banheiro com as guias no pescoço.
Já presenciei o cúmulo de médiuns saírem da corrente para fumar, além de deixarem a corrente, eles saem com as guias adornando o pescoço para saciar o vício durante o trabalho espiritual.
Enfim, não estou julgando doutrinas e nem apontando certos ou errados.
Mas, claramente cantamos em determinado ponto: “...a Umbanda tem fundamento é preciso preparar...” 
É isso irmãos, tudo na Umbanda deve ser respeitado e preparado com fundamento.
Estamos em meio ao sagrado, e o sagrado tem fundamentos a preparar, seguir e respeitar para movimentação energética em benefício de todos.
Irmãos leitores, o que acham? Crítica ou sugestão de minha parte?
Na vivência e nas observações que faço na caminhada religiosa, minha conclusão é que o peso material das guias enfeita cabides e adorna egos e vaidades
Embora as vaidades e egos também se apresentem muitas vezes sem o peso material das guias. Apresentam-se na arrogância de graus hierárquicos e na busca de reconhecimento de alguns que desejam brilhar e não serem iluminados.
Mas deixemos de lado o peso material das guias, e volto neste momento a perguntar ao leitor:
- Você sabe o peso das guias que carrega?
Vamos refletir irmãos leitores.
Sejamos humildes na Umbanda, independente de grau hierárquico ou tempo de religião.
Esse é o maior tesouro: Humildade.
Amor ao próximo, paciência, compreensão, fraternidade, compromisso, perseverança, fé... A humildade resume isso tudo na Umbanda.
Este é o verdadeiro peso das guias que carregamos.
Sejam trinta anos ou trinta dias na religião, somos todos iguais perante a criação. Os nossos guias e mentores não são nossos, e eles não saem lá de Aruanda para contemplar a vaidade e o profano.
 De que vale um mestre conhecedor da religião sem humildade para ensinar a doutrina aos seus seguidores? Terá seguidores como ele ou não terá seguidores.
O peso das guias que carregamos, é o peso de sermos umbandistas vinte e quatro horas por dia, em qualquer lugar que estivermos e em qualquer círculo social.
O peso das guias que carregamos não é vivenciar fanatismo religioso. E sim nem mesmo falarmos de religião ou de grau hierárquico.
O peso das guias que carregamos é ser perseverante, honesto, caminhar com fé no dia a dia e entender que a Umbanda, os orixás, os guias de luz não são culpados por nossos problemas.
Ao contrário, eles são a nossa sustenção espiritual.
E por mais que façam para nos equilibrar e abrir nossos caminhos, somente ao entendermos o real “peso” do compromisso com a nossa missão e com nós mesmos na Umbanda, teremos mais humildade para carregar o peso material da guia de missanguinhas ou do brajá de sete fios.


Hélio DoganelliFilho ( Pai Hélinho de Oxalá )
Dirigente Espiritual do Centro de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola
Poeta e Escritor Umbandista / Artista Plástico e Escultor Religioso

Texto Publicado na Revista do Leitor Umbandista / Edição 02 - Julho/2018
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