quinta-feira, 18 de abril de 2019

CHOCOLATE E CARIDADE




Saudações irmãos leitores, costumo escrever reflexões para nossa reforma íntima e evolução, e, desta vez, não será diferente.
Estamos em época de páscoa, de semana santa, a quaresma terminando, tradições estas provindas da religião católica, mas, que é viva e usual em muitos terreiros de Umbanda.
A páscoa deve representar a confraternização entre as pessoas, e, o renascimento interior, de cada indivíduo.
Deixando as questões religiosas de lado, sabemos que, assim como em muitas datas comemorativas, na páscoa também existe um forte comércio, principalmente no setor alimentício, com a tradição de comer peixe na semana santa e principalmente na sexta feira da paixão, assim como, com ovos de chocolate.
É obvio que as crianças, já admiradoras de doces e chocolates, ficam maravilhadas com tantas opções, e, se empenham em seguir todas as regrinhas determinadas, para que o coelhinho de páscoa lhes traga um ovo de chocolate.
E, nós, desejamos presentar nossos filhos, nossos sobrinhos, enteados, afilhados, parentes e amigos com chocolate, nos mais diferentes formatos.
Entramos também na maratona “chocolatícia” e não resistimos a variedade de doces e guloseimas no comercio em geral.
Se olharmos ao redor de tanta fartura e exagero na mesa de alguns, vemos a fome e miséria em muitos que nem mesa tem, famílias inteiras de moradores de ruas, Pais e Mães sem emprego em meio a imensidão de desempregados no país.
Seguindo nesta linha de reflexão, com nossa mesa farta, com o bacalhau de valor absurdo e os ovos de chocolate enfeitados e recheados de brinquedos. Ou, talvez, nem para nós seja assim, de tanta fartura, mas, ainda que simples seja nossa semana santa e nosso domingo de páscoa, vamos confraternizar...
Vamos confraternizar com nosso próximo, perdoar os inimigos, reaver amizades desfeitas por motivos chulos, reatar e reaproximar o ente querido que se afastou por desavenças.
Vamos amar o próximo como a nós mesmos, o próximo que está nas ruas, sem casa, sem teto, sem mesa, sem amparo, sem comida para suas crianças.
Vamos sair às ruas neste dia de páscoa, independente de crença religiosa, levemos o amor e o carinho, preparemos uma ou duas marmitas, alguns pedaços de chocolate, e, vamos levar a estes irmãos em desamparo.
Nossa riqueza está na alma, a caridade e o amor ao próximo é lei de Umbanda, e, devemos praticar todos os dias, em todos os lugares, não somente no terreiro em dia de gira.
Nosso tesouro verdadeiro é esse, o amor ao próximo, e se representamos o amor entre nossos familiares com ovos de chocolate, vamos levar pedaços de chocolate e marmitas a estes irmãos que necessitam.
Até que isso se torne uma constante, e um mutirão expanda esta ação todos os dias, e não somente, no dia de páscoa.
Em qualquer ato de amor ao próximo estamos representando a lei de Deus. E, assim é nossa Umbanda, servidora das leis divinas.
Este é o simbolismo, assim é a umbanda, chocolate e caridade entre todos, é uma forma de amar a todos os seres humanos.

Hélio Doganelli Filho (Pai Hélinho de Oxalá)
Dirigente Espiritual do Centro de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola
Poeta e Escritor / Artista Plástico e Escultor Religioso
Desenhista Idealizador da Turma do Axézinho
Whatsapp: (11) 9.6868-8242

Texto publicado na Revista do Leitor Umbandista / Edição 11 - Abril / 2019


segunda-feira, 1 de abril de 2019

FORÇA NA LADEIRA




“...na ladeira ninguém vem, você mesmo não se aguenta, pois, a ladeira é um vaivém;
Parece, mesmo com a vida, tem subida, tem descida...”

Trecho do poema: Ladeira da Gamboa de Jorge de Lima
Poemas Negros – Lacerda Editores

Nosso sobe e desce diário na luta material, nossa busca religiosa e evolutiva, são representados neste poema de Jorge de Lima, assim como no provérbio que diz: "A descer, todos os santos ajudam; para cima, é que as coisas mudam".
Assim é nossa vida de um modo geral. Tendo em consideração que descer é mais fácil que subir enquanto caminhamos na lida capitalista.
Mas, e no sobe e desce da caminhada evolutiva?
Segundo o estudo espírita, ninguém regride (desce), na evolução. Ou evoluímos ou ficamos estacionados no grau que estamos.
Neste planeta de provas e expiações, não há quem esteja livre de provações. E sempre acreditamos que nosso problema, nossa provação é maior que de qualquer outro ser humano.
É normal ainda, ao passarmos determinada fase difícil, uma certa provação, logo vir outra, de outro nível, com outro contexto.
Embora desejamos e buscamos a evolução, estamos totalmente, ligados as buscas materiais, e, nestas fases de provação material, nossa fé, por vezes enfraquece, muitos não suportam as provas e blasfemam, trocam de crença religiosa, e muitos, tem atitudes piores de agressão a outros, ou mesmo, à própria vida.
Será que nestas quedas, os santos, orixás, guias de luz, nos ajudam a descer, a cair? Como é citado no provérbio.
Muitas pessoas culpam a Deus, aos guias, a religião pelos seus infortúnios.
Tanto a subida como a descida, na ladeira da vida, estamos acompanhados pelas afinidades espirituais que sintonizamos conforme nosso padrão vibratório, e, na descida vibratória, alguns seres de baixa vibração se filiam a nós certamente, assim como, ao elevarmos nosso padrão vibratório, estamos abrindo o acesso aos espíritos bons que nos auxiliam.
Devemos ter a certeza sim, que nas quedas, e nas mais duras provações, Deus está conosco, os orixás, santos, guias, anjos e mentores conforme nossa crença.
Eles não nos ajudam a descer, e sim estão ao nosso lado tentando nos indicar caminhos, nos trazendo conforto e consolo, nos estimulando a ter fé e esperança sempre, para elevarmos o padrão vibratório.
Desta forma, cabe a nós mesmos estarmos sempre em harmonia e exalando boas vibrações, o equilíbrio é essencial para sintonizarmos com as forças divinas, devemos ter perseverança para enfrentar as pedras e espinhos em nosso caminho material, para consequentemente subirmos um pequeno degrau na caminhada espiritual.
Orar sempre e vigiar contra os maus pensamentos.  Estando assim, nesta boa sintonia vibratória com o universo, mesmo balançando, caindo, descendo, teremos força para nos levantarmos e prosseguir.
Orar e vigiar sempre, para assim, nos ligarmos as forças divinas, que nos auxiliam nos degraus evolutivos e nos trazem energias para as batalhas materiais.
Assim podemos pensar o provérbio de forma diferente: “Para cima, todo santo ajuda”.
Esta é a realidade. Para enfrentarmos tudo, nos reerguer e prosseguir, nossa fé nos traz a força divina.
Não importa a crença religiosa, pois está registrado na história da crença humana que: “Onde houver mais de uma pessoa em nome de Deus, ele estará presente”.
Em resumo a fé em Deus é a nossa força na ladeira sempre.
Saravá e Axé sempre!


Hélio Doganelli Filho ( Pai Hélinho de Oxalá )
Dirigente Espiritual do Centro de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola
Poeta e Escritor / Artista Plástico e Escultor Religioso
Whatsapp 11-9.6868-8242


Texto publicado na Revista do Leitor Umbandista / Edição 10 - Março/2019
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sexta-feira, 22 de março de 2019

ORAÇÕES NOS TERREIROS




Segundo ensinamentos, a maravilhosa oração do Pai Nosso é a única oração que Jesus ensinou. Ela é tão difundida, de imensa força espiritual e ligação a Deus.
Rezamos em nossos trabalhos espirituais. Alguns terreiros rezam substituindo algumas palavras, sem alterar em nada o sentido profundo e a realeza da oração.
Devemos, sim, prosseguir sempre com essa oração, levando de geração em geração.
Sabemos também que muitos terreiros, com grande influência das raízes católicas, e os seus dirigentes se valem, nos trabalhos espirituais, de outras orações como a Ave Maria, o Credo, a oração de São Francisco, etc.
No Credo, no meu modo de ver, há um trecho estranho quando se diz “...Creio na Santa igreja católica...” sendo rezado dentro de um terreiro de umbanda. Embora saibamos que alguns já tenham também alterado frases nessa oração, usando palavras que direcionam o pensamento para a Umbanda e os Orixás. Ainda assim, várias casas, onde estive, rezam na abertura da gira o Credo original.
Louvável os que fazem estas orações, ainda que nas formas tradicionais de outras religiões, pois, os espíritos e mentores não discutem por bandeiras e crenças, nem por tipo de umbanda, e, com a boa intenção através das orações o trabalho espiritual é desenvolvido plenamente.
Também já observei terreiros abrirem gira sem rezar nenhum tipo de oração, mas, cada qual deve saber de seus fundamentos e preparações para conduzir os trabalhos.
Muitos sacerdotes umbandistas falam sobre a identidade da Umbanda, sobre doutrina própria, fundamentos próprios, etc. e é sobre isso que venho argumentar.
Talvez seja, portanto, a hora de ir se desapegando de velhos costumes e dogmas, desligando-se do sincretismo religioso, e pedir aos guias e mentores de nossos terreiros que nos tragam orações próprias para a Umbanda.
Fundamentadas nos trabalhos espirituais, para usarmos na abertura e no fechamento dos trabalhos, durante os passes, o descarrego de energias, enfim, durante toda a ritualística.
Assim como vemos os pretos velhos, rezando em voz baixa durante os passes ministrados nos assistidos, muitas vezes com palavras em outras línguas ou dialetos.
Orações que podem trazer essa identidade à Religião, como os pontos cantados, que os guias nos trazem há anos, e, que, também são mantras e orações, porém, muitos deles, mais antigos, ainda impregnados pelo sincretismo religioso.
Observamos que, na atualidade, os novos pontos trazidos por guias ou inspirados aos Ogãs, estão se desligando do sincretismo católico.

Uma oração linda e de muita energia, que vemos ser rezada em alguns terreiros, é a prece de Caritas, psicografada por médium espírita.
Também já encontrei pela internet orações diversas, a Olorum, a Oxalá, para descarrego, contra demanda, etc; totalmente voltadas à Umbanda, libertas do sincretismo.
Achei também orações maravilhosas trazidas por Exus e Pombagiras.
 
Abaixo, deixo duas orações que nos foram trazidas por nosso mentor o Preto Velho Pai João de Angola. A primeira delas, amorosamente autorizada a sua divulgação pelo preto velho é a oração de nossa Casa, para abertura dos trabalhos espirituais. Aqueles terreiros que desejarem integrá-la a abertura de seus trabalhos, alterando, inclusive, na oração o nome da entidade chefe (Pai João de Angola) pelo nome do Guia ou Mentor do terreiro, podem fazê-lo. O único pedido de Pai João é que seja rezada com fervor, com muito amor no coração e fé em Oxalá.


ORAÇÃO A OLORUM

Olorum de infinita perfeição,
Ser Supremo de toda criação,
Ampare seus filhos nos anseios da vida,
Ordene os sentidos das almas-perdidas.
Olorum de eterna compaixão,
Tenha misericórdia em qualquer dimensão,
Dê-nos paz e harmonia, amor e sanidade
Para buscarmos em sua luz, o dom da caridade.
Que as Sete Linhas da Umbanda Sagrada
Nos auxiliem na eterna caminhada
Trazendo na sua Divina Irradiação
A concórdia e humildade em cada irmão,
Na busca pessoal da evolução.
Olorum amado, mestre maior do Universo,
Faça-nos templo vivo de sua ascensão
Nos sete sentidos da vida, no regresso e na partida
Levando ao mundo sua bandeira de remição.


ORAÇÃO DA CASA

Deus Pai Todo Poderoso, Nosso Amado Criador,
Venha inundar-nos com sua luz Divina;
Que o Pai Oxalá abençoe nossa Tenda
E ilumine as coroas dos médiuns,
Para que esses trabalhem com sabedoria e amor.

Que as Sete Linhas da Umbanda
Derramem nesta casa os bálsamos necessários
Para que todos aqui presentes recebam em suas vidas
As curas de suas doenças materiais e espirituais.

Que as Sete Linhas da Umbanda nos auxiliem
Para que tenhamos disciplina e perseverança
Na coragem de auxiliar o próximo.

Pedimos que afastem nossos inimigos
E todos aqueles que, de alguma forma,
São contrários ao nosso objetivo de amor e caridade.

Que o Pai João de Angola traga paz a esta Casa
Para que ela seja um lugar de renascimento físico e espiritual;
E para que todos que aqui vierem buscar abrigo,
Sejam irradiados de amor e energia.

Assim Seja!


Hélio DoganelliFilho ( Pai Hélinho de Oxalá )
Dirigente Espiritual do Centro de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola
Poeta e Escritor / Artista Plástico e Escultor Religioso
Whatsapp 11-9.6868-8242

Texto publicado na Revista do Leitor Umbandista / Edição 09 - Fevereiro/2019
Com revisão gramatical do irmão Daniel Soares Filho
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

QUAL O NOME DO MEU EXU?





Atualmente, uma das maiores preocupações ou curiosidade dos médiuns, logo que iniciam na Umbanda, é saber qual o nome de seu casal de Guardiões, qual o seu Exu e a sua Pombagira.
Claro que existe esta importância, pois, sabendo o nome fica mais fácil assimilar a energia do guardião e da falange que trabalha.
Mas, um grande risco hoje em dia, é que, sabendo o nome, algumas pessoas procuram na rede mundial de computadores tudo sobre aquela entidade, encontrando pontos cantados e riscados, trabalhos diversos positivos e negativos, e, desta forma, deixam de respeitar a individualidade daquele ser que com ela trabalha na evolução.
Apressando o processo, deixa-se de lado a manifestação mediúnica espontânea.
Alguns se iludem com nomes de grandes falanges, ou se ligam energeticamente a falange do Exu ou Pombagira, “nomeado” pelo seu Pai ou Mãe de santo, e, que em muitos casos, não são os verdadeiros guardiões do médium.
Há médiuns que não aceitam que o seu Exu ou a sua Pombagira, tenham o nome desconhecido, ou de uma falange pequena e pouco divulgada.
Constantemente observamos isso, um exemplo, é de uma médium que não aceitava trabalhar com o Guardião Exu Corcunda, ela achava o nome estranho e não dava crédito para suas próprias forças. Foi a segunda pessoa na minha vida que conheci, que manifestava o Exu Corcunda.
Depois de conhecer melhor suas forças e mistérios, e, trabalhar com fervor a mediunidade, passou a aceitar normalmente o amigo espiritual, e compreende que mais vale o seu trabalho do que seu nome.
Anos atrás, existiam falanges de exus que hoje estão extintas ou estão adaptando seus nomes a nova realidade da religião.
Falo com a simplicidade de um modesto pesquisador, pelo que conheço e acompanho pelos meios virtuais de comunicação no País.
Alguns exemplos, que me recordo são: Exu Calunga, Exu casamenteiro, Exu Chama Dinheiro, Exu Destranca Rua, Exu Matança, Exu Mulambo, Exu Mau Olhado, Exu Quebra Galho, Exu Tranca Gira, Exu Tranca Tudo, Pombagira Maria Bonita, Pombagira das Almas, Pombagira Menina, Pombagira Mocinha, Pombagira Sete Calungas, Pombagira Sete Chaves, entre tantos outros nomes.
Percebo que, se alguns destes citados não se extinguiram, mudaram e adaptaram os seus nomes para a nova realidade da Umbanda, acompanhando a evolução humana e religiosa.
Uns deles passaram a ter o nome Sete acompanhando o nome de origem ou de força.
O Exu Facada quase não vemos mais nos terreiros, mas vemos o Exu Sete Facadas, assim como o Exu Catacumba, vemos bastante o Exu Sete Catacumbas, Exu Lira vemos o Sete Liras, Exu da Estrada vemos o Sete Estradas, Exu Brasa vemos o Exu Sete Brasas, Exu Porteira vemos o Exu Sete Porteiras, e assim por diante.
Podemos dizer que seja uma evolução da própria falange, que passou a trabalhar com as sete energias divinas, ou, talvez realmente se extinguiu a anterior e surgiram as novas falanges de Sete.
O Exu Tranca Rua, parece ter atualmente a maior falange existente, e alguns que desapareceram dos terreiros, como Exu Tranca Gira, Exu Tranca Tudo, Exu Destranca Tudo, etc, devem ter de alguma forma se filiado a falange de Tranca Rua, justificando talvez o desaparecimento destes citados, e a grande expansão da falange.
O Exu Casamenteiro tem seu nome pelo sincretismo com Santo Antonio, o Santo Casamenteiro, atualmente vemos nos terreiros o Exu do Amor ou a Pombagira do Amor.
Exu Chama Dinheiro quase não vemos mais nos terreiros, mas vemos o Exu do Ouro e a Pombagira Maria Padilha Rica.
Exu Curador também não tenho achado nas giras que visito, mas, vemos vários Exus trabalhadores nas falanges de cura.
E todos esses nomes reforçam a tradição, que Exu e Pombagira vem nos ajudar e nos equilibrar, nas necessidades que temos no plano material referentes ao amor, a prosperidade e a saúde.
Muitas Pombagiras também desapareceram dos terreiros, e vemos mais constantemente os nomes de Maria Padilha, Maria Mulambo e Maria Farrapo.
Algumas acompanhadas de nomes como das Almas ou do cruzeiro, entre outros.
Outras designando luxo e prosperidade como Maria Padilha Rica, outras propondo poder em meio energias densas como Maria Mulambo do Lixo.
Sobre as Pombagiras, também surgiram muitas falanges de Pombagiras Ciganas, quase que miscigenando a idéia de serem a mesma coisa, Pombagiras e Ciganas.
De tempos para cá surgiu na Umbanda também em algumas vertentes a Linha de Pombagiras Mirins e a Linha dos Malandros.
Assim como acontece com muitos Exus Mirins, que usam nomes a partir das falanges dos Exus no diminutivo: Caveirinha, Toquinho, Pimentinha, Brasinha, etc. Várias Pombagiras Mirins também usam os nomes das Pombagiras no diminutivo, Padilhinha, Mulambinha, Rosinha, etc.
Mas, isto não é regra, são exemplos de alguns casos em que os trabalhadores mirins devem atuar na mesma força dos Exus e Pombagiras que levam o nome, por outro lado, existe uma infinidade de nomes de Exus e Pombagiras Mirins, demonstrando a individualidade de cada entidade e seus mistérios espirituais.
A linha de malandros também vem nos apresentando a ligação com os Exus e Pombagiras e seus mistérios, e com eles vem o crescimento de falanges como Maria Navalha, Maria Farrapo, Zé Pelintra, Zé Malandro, entre tantos.
Enfim, apresentamos um breve ponto de vista sobre os nomes dos Exus e Pombagiras, sobre alguns que estão desaparecendo e outros que vem surgindo.
Porém, frisamos e aconselhamos ao irmão leitor, que antes de saber o nome de seus guias, vamos nos entregar à oportunidade de servir a Umbanda através destes mensageiros e mensageiras maravilhosos que trabalham pela lei divina.
Vamos conhecer suas forças espirituais e seu modo de agir e trabalhar em prol da caridade e do equilíbrio energético de quem os procura.
Vamos enfim, e sobretudo, analisar o teor da mensagem que estes importantes amigos nos trazem, pois, mais vale sim, a sua mensagem do que o seu nome.
Tem muito mais valor o seu trabalho, as curas que opera, os caminhos que abre, as feridas que fecha, o acolhimento que pratica, o consolo que nos direciona pelas palavras, do que o seu nome.

Saravá Fraterno!


Hélio DoganelliFilho ( Pai Hélinho de Oxalá )
Dirigente Espiritual do Centro de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola
Poeta e Escritor / Artista Plástico e Escultor Religioso
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Texto publicado na Revista do Leitor Umbandista / Edição 08 - Janeiro/2019
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

PROCURA-SE MÉDIUNS DE UMBANDA



Atualmente, existem uma infinidade de cursos sobre a umbanda, alguns presenciais e outros virtuais.
Os temas são os mais variados, desde aulas de atabaque, graus diversos de magia, ervas, banhos, orixás, exus, até o sacerdócio de umbanda.
Alguns cursos formam sacerdotes em menos de um ano, através de vídeo aulas, contando com consagrações mensais pessoalmente com o instrutor.
Acho excelente existirem tantos ensinamentos abertos, isso, sem falarmos sobre a infinita diversidade de textos e pensamentos disponíveis livremente na rede mundial de computadores.
Mas, sobretudo, sabemos que umbanda tem fundamento, e é necessário a vivência para um bom trabalho espiritual.
Os cursos oferecidos, muitas vezes não exigem pré-requisitos do estudante.
Nenhum critério. Nem que seja umbandista, nem ao menos que tenha desenvolvimento mediúnico.
Se analisarmos a doutrina católica, por exemplo. Quem entra no seminário com intenção de ser padre, não é católico? Não deve ter o dom para o sacerdócio?
Porque na umbanda deve ser diferente?
Enfim, muitas pessoas maravilhadas, ou desejando retorno de seu investimento financeiro, querem abrir um terreiro.
Outros, pulam de terreiro em terreiro, tentando se impor e ter cargo, com seus diplomas em punho, e sem o mínimo respeito com o sagrado.
Preiteiam cargos dentro do terreiro, e seu ego e sua vaidade os distancia de qualquer relação com o plano espiritual.
Sem humildade, as pessoas não querem seguir uma doutrina, ainda que essa exista a anos.
Tudo isso, está transformando a umbanda em uma bagunça, banalizando os fundamentos maravilhosos que são cultuados há tempos.

Os doutores da lei, querem exibir seus diplomas, criando uma geração de perturbados, que não se colocam como instrumento de Oxalá, não trabalham sua mediunidade, e não deixam as entidades se manifestarem e trazerem a sua real mensagem, colocando pensamentos próprios na consulta que ocorre, atrapalhando a comunicação de uma forma geral.
Todos possuem vidência, o tempo todo, em todos os lugares, e as coisas mais absurdas são relatadas. Muitos se sentem superiores aos guias de luz, e dizem nem precisar da presença deles na gira.
O assunto principal é Exu, pomba-gira, mirins, malandragem; com arrogância impõem que os compadres e comadres são amiguinhos de todos, e que tem obrigação de servir suas vontades muitas vezes profanas, e não consideram que são guardiões, executores das leis divinas, e, tanto nos ajudam, como nos punem conforme nossos atos e objetivos.
Em um mesmo terreiro, a maioria dos membros exibem seus diplomas de sacerdotes.
Mas, será que mostrando o diploma para um quiumba ele irá correr? Somente o certificado concedido pelo curso é suficiente para trabalhar contra feitiçarias?
E o diploma espiritual? O dom? A missão?
Não devemos parar no tempo, vamos acompanhar a evolução sim, e estudar com certeza. A busca de conhecimento, sempre foi necessária para o intercâmbio espiritual, para um bom trabalho e uma comunicação sensata e com fundamentos.
Mas, devemos sim, antes de cargos e títulos, viver a essência da Umbanda, da humildade, simplicidade, pés no chão.
A Umbanda procura médiuns, para vivenciar os trabalhos espirituais, para se agregarem a corrente mediúnica, em busca de aprendizado e evolução, cambonando os guias e entidades.
É triste presenciarmos, dia após dia, verdadeiros espetáculos de teatro, em palcos adornados e diplomas nas paredes.
Estão se acabando os fundamentos, a simplicidade, a humildade.
A grande maioria dos que procuram nosso terreiro, principalmente jovens, já trazem a pretensão de ter um cargo dentro da religião, com o maravilhismo nos olhos, e, muitos já chegam com os diplomas de sacerdote comprados online ou não.
Talvez hoje, eu seja um velho antiquado e radical, com relação a esse assunto, e, mesmo eu sendo simpatizante da sociedade alternativa de Raul Seixas, que diz: “...faça o que tu queres...”, vejo por outro lado, que pessoas inexperientes e sem vivência dentro dos terreiros, saem dos cursos, com objetivo principal de recuperar seu investimento e ganhar dinheiro ensinando a outros; não mancham a si próprios, denigrem a religião de Umbanda, deturpam tudo de bom que pregamos e fazemos, com fundamentos e raiz espiritual. Desta forma, denigrem também o meu nome e do meu terreiro.
Pois, muitos assistidos que passam pelas mãos destes novos "Doutores da Lei", nunca mais retornam a Umbanda, e sim, vão em busca de outras religiões, após decepções ou falta de ética, de postura, de fundamentos; enfim, faltas diversas dos diplomados.
Acredito que abrir ensinamentos aos médiuns é importante, faz parte da evolução da religião, mas, através de cursos específicos de cada seguimento umbandista, e, principalmente, de forma gratuita, sem visar investimentos e retornos financeiros.
A umbanda precisa sempre expandir, mas, não de forma banalizada, com fundamentos abertos a qualquer um, de qualquer forma, e sem a vivência ser praticada.
Aprender é o caminho, buscar conhecer, ler, estudar, é necessário e essencial ao médium. Mas, a teoria se faz maravilhosa junto a prática.
Não temos mais médiuns na umbanda, para cambonar, para receber os assistidos, para auxiliar na limpeza do terreiro, enfim, para servir a espiritualidade com amor e dedicação, sem esperar algo em troca.
Vamos rezar para que a espiritualidade coloque as diretrizes e fundamentos necessários nas mentes dos jovens umbandistas, para que continue sendo, uma religião maravilhosa e abençoada, e continue expandindo e ganhando espaço no planeta.
Tenho a esperança, que o plano espiritual esteja preparando algo novo para a religião, e, tendo a certeza que Deus a nada desampara, amparará nossa religião para um novo rumo, um novo aeon!
Fica neste momento a certeza, que, a umbanda procura médiuns, pois só restaram sacerdotes.

Hélio DoganelliFilho ( Pai Hélinho de Oxalá )
Dirigente Espiritual do Centro de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola
Poeta e Escritor Umbandista / Artista Plástico e Escultor Religioso

Texto publicado no Blog Cantinho dos Orixás - http://autor.umbandavale.com.br/
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

ESCULTURAS NA UMBANDA



A intolerância religiosa de fanáticos vem há anos perseguindo a umbanda de muitas formas.
A Bíblia, tida como escrituras sagradas por algumas religiões, sempre foi e ainda é, usada como arma de ataque a toda e qualquer forma de crença e culto divergente à tal pregação.
Exemplo disto são os textos onde “Deus” proíbe aos homens fazerem esculturas para simbolizar a Divindade.
Seria isso uma forma de egoísmo, ciúmes ou autoritarismo de Deus sobre a humanidade?
De forma alguma venho julgar ao Criador, mas sim, tentar junto a você leitor, formular um pensamento lógico e fundamentado sobre Deus e os textos bíblicos que tanto servem para atacar nossa religião.
Alguns textos são apavorantes e proíbem que sejam feitas imagens de qualquer animal da terra, do ar e do mar.
Pergunto então, porque os mesmos fanáticos que perseguem a Umbanda com estes textos sobre esculturas, e afirmam não usar nenhum tipo de imagem que faça referência nem a Jesus, possuem por todos os cantos de sua rotina, imagens, adesivos, chaveiros, e uma infinidade de outros itens de uma formiga desmilinguida que segura plaquinhas dizendo “Jesus te ama” entre outras frases?
E a religião católica, que tem por princípio a Bíblia. Porque não respeita essas menções sagradas de Deus, e mantém em todos os cantos das Igrejas diversas formas de esculturas desenvolvidas nos mais diversos tipos de materiais? Imagens com referência a Jesus em todos seus passos, e imagens de todos santos e beatos.
A imposição católica na conversão religiosa dos escravos os fez aceitar as esculturas católicas e associar aos orixás de suas culturas, desta forma continuaram prestando o culto de uma maneira figurada.
Interessante pensar, e entender, portanto, que as imagens existentes até hoje em nossos terreiros, tiveram origem pela imposição religiosa, de uma religião que condena o uso de esculturas com base no próprio livro sagrado e doutrinário.
Vamos pensar também que, se crermos nos textos bíblicos, Deus não sentia ciúmes ou egoísmo como cogitamos linhas atrás, e sim, deixava claro aos homens que não houvesse idolatria.
Mas se egoísmo e ciúmes são sentimentos que não cabem a Deus, por ser o criador de tudo, onipotente, onisciente e onipresente. Porque o maior mandamento exige que se ame a Deus sobre todas as coisas? Isso não é idolatria?
Vamos deixar essa questão para um artigo futuro e voltar a falar das esculturas nos terreiros de umbanda.
Se a origem de esculturas em nossos altares foi da forma descrita acima, precisamos mantê-las até hoje?
Muitos sacerdotes de Umbanda afirmam que não é preciso mais manter esculturas em nossos altares e dizem que com o tempo realmente isso será extinto da religião.
Concordo com estas afirmativas quando creio que Umbanda é culto a natureza, culto aos orixás, manifestação dos espíritos para a prática da caridade, e através de fluidos dos elementos naturais nos traz harmonia e equilíbrio energético.
Sendo assim, a imagem religiosa pode ser vista simplesmente como uma peça de arte e decoração dentro dos terreiros?
Primeiramente a ativação da fé na grande maioria das pessoas precisa de um estimulo visual. Falar com o caboclo ou exu, sem conhecer sua aparência e características, para muitos, não é o suficiente para criar uma ligação energética, que ative as forças necessárias para se cumprir o que é preciso ao assistido.
Além disso, nossa grande diretriz é crer que a umbanda tem fundamento.
Então qual é o fundamento das esculturas em nossa crença religiosa?
A escultura por si só realmente é uma peça decorativa, que muitos adquirem por simpatizarem com determinada entidade, e desejam ter em seus lares o simbolismo da mesma, para ativação de sua fé visual ao rezarem.
Nos altares em muitos terreiros são usadas como pontos de força, na irradiação de energias de harmonia e equilíbrio, e como proteção na absorção de energias densas e negativas nas tronqueiras ou casas de exu.
Mas, para terem fundamento na umbanda, as esculturas devem ser preparadas para compor um terreiro e ter a função de portal energético.
Deve ser rezada e consagrada ao criador, e ao orixá ou guia que a represente.
Alguns sacerdotes mais antigos furavam embaixo das esculturas, e assentavam dentro dela elementos naturais, referentes a energia que ela representava. Algumas sementes, folhas secas, pedras, palha da costa, pó de pemba, etc.
Conforme a escultura, o guia chefe ou o sacerdote do terreiro, determinava quais elementos deveriam ser assentados, em seguida, o furo era tapado com gesso ou argila.
O Guia chefe cruzava cada imagem com pemba, entoando pontos cantados e imantando a mesma na energia de seus elementos de uso e velas firmadas.
Só após procedimentos assim ou semelhantes a estes, as esculturas estavam fundamentadas e energizadas, para compor o seu espaço no altar ou em outros pontos do terreiro de umbanda, cumprindo sua função de portal energético.
Fundamentos esclarecidos e observada a questão da fé visual, devemos ainda pensar que a umbanda ainda é uma religião nova, que vem aos poucos desvinculando dogmas de outras religiões e apresentando conceitos próprios.
Mas, existe também a tradição passada de geração em geração que mantém vivo o sincretismo religioso e o uso das esculturas nos terreiros.
E, além das esculturas católicas que compõem os altares de umbanda, esculturas de orixás vem sendo desenvolvidas constantemente. Assim como de todas entidades militantes em todas as falanges e linhas de trabalho da religião.
Quando os guias começaram a narrar e demonstrar nos terreiros suas descrições e características, a indústria e o comércio religioso começou a desenvolver as infinidades de imagens existentes.
Porém, padronizaram esculturas de determinados entidades, colocando como regra que toda falange seria da mesma forma.
Na atualidade, desenvolvemos para a mesma falange esculturas diferentes, conforme a descrição do guia manifestado ou pela intuição do médium através de um desenho. Pois, sabemos que cada ser é uma individualidade, embora se apresente com o nome da falange que representa.
Irmãos leitores, concluo dizendo que, para ativar a energia sagrada no universo, tudo é válido, desde que tenha fundamento. Vamos sempre respeitar a diversidade existente na umbanda. Axé!

Hélio DoganelliFilho ( Pai Hélinho de Oxalá )
Dirigente Espiritual do Centro de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola
Poeta e Escritor Umbandista / Artista Plástico e Escultor Religioso

Texto publicado na Revista do Leitor Umbandista / Edição 07 - Dezembro/2018
Baixe a revista gratuitamente no site - http://www.umbandavale.com.br

À DEUS, O QUE É DE DEUS



Muitos amigos leitores conhecem a frase: “Dai, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” atribuída a Jesus Cristo nos evangelhos como resposta sobre a delicada questão do pagamento de impostos aos Romanos.

Mas, após esta colocação vamos falar sobre Umbanda.
Dias atrás em um grupo de discussões que participo surgiu a conversa sobre eventos e cursos cobrados e gratuitos referentes a religião Umbanda. Optei em não entrar na conversa, reservando minhas opiniões para este momento.

Aprendemos constantemente que Umbanda é caridade e nada se cobra. O Caboclo das Sete Encruzilhadas nos deixou as mensagens:
“Umbanda é a manifestação do espírito para a prática da caridade.”
“Aprender com quem sabe mais e ensinar a quem sabe menos.”
Não tenho ciência que o Caboclo orientou a cobrar ensinamentos e atendimentos espirituais.

Sabemos que o dom de mediunidade nos é dado de graça, e de graça devemos exercê-lo.
Mas, e as despesas materiais para exercer a mediunidade?

Os terreiros para se manterem, normalmente contam com a colaboração e doações dos membros, médiuns e assistidos.
As despesas como aluguel e contas de consumo, muitas vezes são arcadas pelo próprio sacerdote do terreiro, que acaba buscando recursos em seu trabalho material, tirando da sua vida pessoal o complemento financeiro para manter a casa de caridade aberta.

Eu apoio eventos que auxiliem os terreiros a arcar com suas despesas mensais, como bingos, almoços, bazares, entre outros.
Também acho maravilhoso, os ensinamentos sobre a Umbanda estarem ao alcance de todos.
Mas de alguns anos para cá, iniciou-se uma verdadeira febre de cursos, workshops e eventos sobre os mais variados temas da Umbanda.

Não sou contra os terreiros cobrarem cursos, pois, ajuda nas despesas mensais. Mas, vemos atualmente uma verdadeira banalização dos ensinamentos e fundamentos divididos em cursos absurdos e fantasiosos muitas vezes, com o único intuito de ganhar dinheiro, e não de levar ensinamentos.
Sim, ganhar o dinheiro é essencial como já disse, pois as instituições tem diversas despesas; não somente de aluguel e contas de consumo, mas de materiais de higiene e limpeza, de materiais litúrgicos, etc.

Em contrapartida, alguns sacerdotes não se utilizam mais do trabalho material para seu sustento, e sim, vem se utilizando da Umbanda através de cursos, workshops e eventos, não somente para manter a instituição religiosa, mas para arcar com sua vida pessoal, suas despesas e luxos inclusive.

Não sou hipócrita, pois ganho dinheiro com as religiões, não somente com a Umbanda, com outras religiões também, sou escultor religioso e comercializo esculturas além de alguns outros itens religiosos.
Mas, não exploro a fé e nem o desconhecimento das pessoas.
Não exijo aos filhos de santo que adquiram comigo esculturas ou outros artigos. Não exijo que tenham esculturas em casa para aumentar minhas vendas, ao contrário, se for necessário ou queiram ter suas esculturas, estimulo a procurarem o melhor preço, que caiba eu seu orçamento.
Também sempre ofereci cursos gratuitos em nosso terreiro, inclusive anos atrás gerei polêmica e desavenças, quando ofereci gratuitamente um curso que rendeu boas quantias para alguns bolsos que se denominavam os “Doutores da Lei” no meio da religião.

A febre existente hoje de cursos e workshops obriga os adeptos a terem seus diplomas, desta forma, não se segue mais uma doutrina por amor e caridade, se compra diplomas e se causa assim uma expansão banalizada e desorientada.
Culpa disso também está nas mentes de muitos que procuram os terreiros pelo maravilhismo. Não buscando seu desenvolvimento mediúnico e evolução, e sim, procurando um cargo de destaque dentro de uma casa espiritual, ou, desejando em pouco tempo abrir a sua própria casa.

Tal prova disso, é que os valores cobrados em cursos são tratados como investimento, pois já colocam nas mentes capitalistas e aproveitadoras a certeza que irão recuperar seu investimento oferecendo o curso a outros assim que estiverem com seus diplomas nas paredes.

E a febre de eventos; é maravilhosa, pois divulga e expande a religião Umbanda.
É excelente para que a Umbanda se destaque na sociedade.
Mas, com o vírus de eventos e cursos infectando a religião, a Umbanda por si só está virando uma vitrine comercial aonde quem não tem capital para investir fica parado na evolução, ou busca ensinamentos que confundem a muitos na diversidade da internet.
Também concordo que um evento muitas vezes precisa de capital para aluguel, decoração, coquetel, etc. Mas, vemos acontecer alguns eventos que fogem a realidade das despesas e certamente servem para alguns aproveitadores reverterem em sua vida pessoal.

E a assistência social? Isto sim falta na Umbanda.
Não vejo os terreiros ou administradores dos eventos reverterem capital que sobra de eventos em assistência social.
Claro, não posso generalizar, muitos sacerdotes e terreiros caminham no vermelho sempre, muitos fazem assistência social, muitos oferecem cursos gratuitos, e muitos cobram o suficiente para arcar com despesas, revertendo o que sobra em assistência social. Muitos inclusive não cobram cursos de quem tem interesse em fazer e não podem pagar.

Enfim, precisamos rever os valores da religião.
E acima de tudo escutar os mentores e guias chefes sobre a questão do dinheiro.
Vamos conversar internamente com nosso coração e nossa mente, e concluir até que ponto arrecadar dinheiro usando o nome da Umbanda é necessidade para levar a bandeira de Oxalá ou conveniência em benefício próprio.

Fica a frase de Jesus como exemplo para nossa própria expiação.


Hélio DoganelliFilho ( Pai Hélinho de Oxalá )
Dirigente Espiritual do Centro de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola
Poeta e Escritor Umbandista / Artista Plástico e Escultor Religioso

Texto Publicado na Revista do Leitor Umbandista / Edição 06 - Novembro/2018
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