Atualmente, existem uma infinidade de cursos sobre a umbanda,
alguns presenciais e outros virtuais.
Os temas são os mais variados, desde aulas de atabaque, graus
diversos de magia, ervas, banhos, orixás, exus, até o sacerdócio de umbanda.
Alguns cursos formam sacerdotes em menos de um ano, através
de vídeo aulas, contando com consagrações mensais pessoalmente com o instrutor.
Acho excelente existirem tantos ensinamentos abertos, isso,
sem falarmos sobre a infinita diversidade de textos e pensamentos disponíveis livremente
na rede mundial de computadores.
Mas, sobretudo, sabemos que umbanda tem fundamento, e é
necessário a vivência para um bom trabalho espiritual.
Os cursos oferecidos, muitas vezes não exigem pré-requisitos
do estudante.
Nenhum critério. Nem que seja umbandista, nem ao menos que
tenha desenvolvimento mediúnico.
Se analisarmos a doutrina católica, por exemplo. Quem entra
no seminário com intenção de ser padre, não é católico? Não deve ter o dom para
o sacerdócio?
Porque na umbanda deve ser diferente?
Enfim, muitas pessoas maravilhadas, ou desejando retorno de
seu investimento financeiro, querem abrir um terreiro.
Outros, pulam de terreiro em terreiro, tentando se impor e
ter cargo, com seus diplomas em punho, e sem o mínimo respeito com o sagrado.
Preiteiam cargos dentro do terreiro, e seu ego e sua vaidade
os distancia de qualquer relação com o plano espiritual.
Sem humildade, as pessoas não querem seguir uma doutrina,
ainda que essa exista a anos.
Tudo isso, está transformando a umbanda em uma bagunça,
banalizando os fundamentos maravilhosos que são cultuados há tempos.
Os doutores da lei, querem exibir seus diplomas, criando uma
geração de perturbados, que não se colocam como instrumento de Oxalá, não
trabalham sua mediunidade, e não deixam as entidades se manifestarem e trazerem
a sua real mensagem, colocando pensamentos próprios na consulta que ocorre, atrapalhando
a comunicação de uma forma geral.
Todos possuem vidência, o tempo todo, em todos os lugares, e as
coisas mais absurdas são relatadas. Muitos se sentem superiores aos guias de
luz, e dizem nem precisar da presença deles na gira.
O assunto principal é Exu, pomba-gira, mirins, malandragem; com
arrogância impõem que os compadres e comadres são amiguinhos de todos, e que
tem obrigação de servir suas vontades muitas vezes profanas, e não consideram
que são guardiões, executores das leis divinas, e, tanto nos ajudam, como nos
punem conforme nossos atos e objetivos.
Em um mesmo terreiro, a maioria dos membros exibem seus
diplomas de sacerdotes.
Mas, será que mostrando o diploma para um quiumba ele irá
correr? Somente o certificado concedido pelo curso é suficiente para trabalhar
contra feitiçarias?
E o diploma espiritual? O dom? A missão?
Não devemos parar no tempo, vamos acompanhar a evolução sim, e
estudar com certeza. A busca de conhecimento, sempre foi necessária para o
intercâmbio espiritual, para um bom trabalho e uma comunicação sensata e com
fundamentos.
Mas, devemos sim, antes de cargos e títulos, viver a essência
da Umbanda, da humildade, simplicidade, pés no chão.
A Umbanda procura médiuns, para vivenciar os trabalhos espirituais,
para se agregarem a corrente mediúnica, em busca de aprendizado e evolução,
cambonando os guias e entidades.
É triste presenciarmos, dia após dia, verdadeiros espetáculos
de teatro, em palcos adornados e diplomas nas paredes.
Estão se acabando os fundamentos, a simplicidade, a humildade.
A grande maioria dos que procuram nosso terreiro, principalmente
jovens, já trazem a pretensão de ter um cargo dentro da religião, com o
maravilhismo nos olhos, e, muitos já chegam com os diplomas de sacerdote
comprados online ou não.
Talvez hoje, eu seja um velho antiquado e radical, com relação
a esse assunto, e, mesmo eu sendo simpatizante da sociedade alternativa de Raul
Seixas, que diz: “...faça o que tu queres...”, vejo por outro lado, que pessoas
inexperientes e sem vivência dentro dos terreiros, saem dos cursos, com objetivo
principal de recuperar seu investimento e ganhar dinheiro ensinando a outros; não
mancham a si próprios, denigrem a religião de Umbanda, deturpam tudo de bom que
pregamos e fazemos, com fundamentos e raiz espiritual. Desta forma, denigrem também
o meu nome e do meu terreiro.
Pois, muitos assistidos que passam pelas mãos destes novos
"Doutores da Lei", nunca mais retornam a Umbanda, e sim, vão em busca
de outras religiões, após decepções ou falta de ética, de postura, de fundamentos;
enfim, faltas diversas dos diplomados.
Acredito que abrir ensinamentos aos médiuns é importante, faz
parte da evolução da religião, mas, através de cursos específicos de cada
seguimento umbandista, e, principalmente, de forma gratuita, sem visar
investimentos e retornos financeiros.
A umbanda precisa sempre expandir, mas, não de forma
banalizada, com fundamentos abertos a qualquer um, de qualquer forma, e sem a
vivência ser praticada.
Aprender é o caminho, buscar conhecer, ler, estudar, é
necessário e essencial ao médium. Mas, a teoria se faz maravilhosa junto a
prática.
Não temos mais médiuns na umbanda, para cambonar, para
receber os assistidos, para auxiliar na limpeza do terreiro, enfim, para servir
a espiritualidade com amor e dedicação, sem esperar algo em troca.
Vamos rezar para que a espiritualidade coloque as diretrizes
e fundamentos necessários nas mentes dos jovens umbandistas, para que continue
sendo, uma religião maravilhosa e abençoada, e continue expandindo e ganhando espaço
no planeta.
Tenho a esperança, que o plano espiritual esteja preparando
algo novo para a religião, e, tendo a certeza que Deus a nada desampara, amparará
nossa religião para um novo rumo, um novo aeon!
Fica neste momento a certeza, que, a umbanda procura médiuns,
pois só restaram sacerdotes.
Hélio
DoganelliFilho ( Pai Hélinho de Oxalá )
Dirigente
Espiritual do Centro de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola
Poeta
e Escritor Umbandista / Artista Plástico e Escultor Religioso
Texto publicado no Blog
Cantinho dos Orixás - http://autor.umbandavale.com.br/
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do Leitor Umbandista - http://www.umbandavale.com.br

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