Atualmente,
uma das maiores preocupações ou curiosidade dos médiuns, logo que iniciam na
Umbanda, é saber qual o nome de seu casal de Guardiões, qual o seu Exu e a sua
Pombagira.
Claro
que existe esta importância, pois, sabendo o nome fica mais fácil assimilar a
energia do guardião e da falange que trabalha.
Mas,
um grande risco hoje em dia, é que, sabendo o nome, algumas pessoas procuram na
rede mundial de computadores tudo sobre aquela entidade, encontrando pontos
cantados e riscados, trabalhos diversos positivos e negativos, e, desta forma,
deixam de respeitar a individualidade daquele ser que com ela trabalha na
evolução.
Apressando
o processo, deixa-se de lado a manifestação mediúnica espontânea.
Alguns
se iludem com nomes de grandes falanges, ou se ligam energeticamente a falange
do Exu ou Pombagira, “nomeado” pelo seu Pai ou Mãe de santo, e, que em muitos
casos, não são os verdadeiros guardiões do médium.
Há
médiuns que não aceitam que o seu Exu ou a sua Pombagira, tenham o nome
desconhecido, ou de uma falange pequena e pouco divulgada.
Constantemente
observamos isso, um exemplo, é de uma médium que não aceitava trabalhar com o
Guardião Exu Corcunda, ela achava o nome estranho e não dava crédito para suas
próprias forças. Foi a segunda pessoa na minha vida que conheci, que
manifestava o Exu Corcunda.
Depois
de conhecer melhor suas forças e mistérios, e, trabalhar com fervor a
mediunidade, passou a aceitar normalmente o amigo espiritual, e compreende que
mais vale o seu trabalho do que seu nome.
Anos
atrás, existiam falanges de exus que hoje estão extintas ou estão adaptando
seus nomes a nova realidade da religião.
Falo
com a simplicidade de um modesto pesquisador, pelo que conheço e acompanho
pelos meios virtuais de comunicação no País.
Alguns
exemplos, que me recordo são: Exu Calunga, Exu casamenteiro, Exu Chama
Dinheiro, Exu Destranca Rua, Exu Matança, Exu Mulambo, Exu Mau Olhado, Exu
Quebra Galho, Exu Tranca Gira, Exu Tranca Tudo, Pombagira Maria Bonita,
Pombagira das Almas, Pombagira Menina, Pombagira Mocinha, Pombagira Sete
Calungas, Pombagira Sete Chaves, entre tantos outros nomes.
Percebo
que, se alguns destes citados não se extinguiram, mudaram e adaptaram os seus
nomes para a nova realidade da Umbanda, acompanhando a evolução humana e
religiosa.
Uns
deles passaram a ter o nome Sete acompanhando o nome de origem ou de força.
O
Exu Facada quase não vemos mais nos terreiros, mas vemos o Exu Sete Facadas,
assim como o Exu Catacumba, vemos bastante o Exu Sete Catacumbas, Exu Lira
vemos o Sete Liras, Exu da Estrada vemos o Sete Estradas, Exu Brasa vemos o Exu
Sete Brasas, Exu Porteira vemos o Exu Sete Porteiras, e assim por diante.
Podemos
dizer que seja uma evolução da própria falange, que passou a trabalhar com as
sete energias divinas, ou, talvez realmente se extinguiu a anterior e surgiram
as novas falanges de Sete.
O
Exu Tranca Rua, parece ter atualmente a maior falange existente, e alguns que
desapareceram dos terreiros, como Exu Tranca Gira, Exu Tranca Tudo, Exu
Destranca Tudo, etc, devem ter de alguma forma se filiado a falange de Tranca
Rua, justificando talvez o desaparecimento destes citados, e a grande expansão
da falange.
O
Exu Casamenteiro tem seu nome pelo sincretismo com Santo Antonio, o Santo
Casamenteiro, atualmente vemos nos terreiros o Exu do Amor ou a Pombagira do
Amor.
Exu
Chama Dinheiro quase não vemos mais nos terreiros, mas vemos o Exu do Ouro e a
Pombagira Maria Padilha Rica.
Exu
Curador também não tenho achado nas giras que visito, mas, vemos vários Exus trabalhadores
nas falanges de cura.
E
todos esses nomes reforçam a tradição, que Exu e Pombagira vem nos ajudar e nos
equilibrar, nas necessidades que temos no plano material referentes ao amor, a
prosperidade e a saúde.
Muitas
Pombagiras também desapareceram dos terreiros, e vemos mais constantemente os
nomes de Maria Padilha, Maria Mulambo e Maria Farrapo.
Algumas
acompanhadas de nomes como das Almas ou do cruzeiro, entre outros.
Outras
designando luxo e prosperidade como Maria Padilha Rica, outras propondo poder
em meio energias densas como Maria Mulambo do Lixo.
Sobre
as Pombagiras, também surgiram muitas falanges de Pombagiras Ciganas, quase que
miscigenando a idéia de serem a mesma coisa, Pombagiras e Ciganas.
De
tempos para cá surgiu na Umbanda também em algumas vertentes a Linha de
Pombagiras Mirins e a Linha dos Malandros.
Assim
como acontece com muitos Exus Mirins, que usam nomes a partir das falanges dos
Exus no diminutivo: Caveirinha, Toquinho, Pimentinha, Brasinha, etc. Várias
Pombagiras Mirins também usam os nomes das Pombagiras no diminutivo,
Padilhinha, Mulambinha, Rosinha, etc.
Mas,
isto não é regra, são exemplos de alguns casos em que os trabalhadores mirins
devem atuar na mesma força dos Exus e Pombagiras que levam o nome, por outro
lado, existe uma infinidade de nomes de Exus e Pombagiras Mirins, demonstrando
a individualidade de cada entidade e seus mistérios espirituais.
A
linha de malandros também vem nos apresentando a ligação com os Exus e Pombagiras
e seus mistérios, e com eles vem o crescimento de falanges como Maria Navalha,
Maria Farrapo, Zé Pelintra, Zé Malandro, entre tantos.
Enfim,
apresentamos um breve ponto de vista sobre os nomes dos Exus e Pombagiras,
sobre alguns que estão desaparecendo e outros que vem surgindo.
Porém,
frisamos e aconselhamos ao irmão leitor, que antes de saber o nome de seus
guias, vamos nos entregar à oportunidade de servir a Umbanda através destes
mensageiros e mensageiras maravilhosos que trabalham pela lei divina.
Vamos
conhecer suas forças espirituais e seu modo de agir e trabalhar em prol da
caridade e do equilíbrio energético de quem os procura.
Vamos
enfim, e sobretudo, analisar o teor da mensagem que estes importantes amigos
nos trazem, pois, mais vale sim, a sua mensagem do que o seu nome.
Tem
muito mais valor o seu trabalho, as curas que opera, os caminhos que abre, as
feridas que fecha, o acolhimento que pratica, o consolo que nos direciona pelas
palavras, do que o seu nome.
Saravá
Fraterno!
Hélio DoganelliFilho ( Pai Hélinho
de Oxalá )
Dirigente Espiritual do Centro de Estudos Religiosos e
Espirituais João de Angola
Poeta e Escritor / Artista Plástico
e Escultor Religioso
Texto publicado na Revista do Leitor Umbandista / Edição 08 - Janeiro/2019
Baixe a revista gratuitamente no site - http://www.umbandavale.com.br
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