segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

QUAL O NOME DO MEU EXU?





Atualmente, uma das maiores preocupações ou curiosidade dos médiuns, logo que iniciam na Umbanda, é saber qual o nome de seu casal de Guardiões, qual o seu Exu e a sua Pombagira.
Claro que existe esta importância, pois, sabendo o nome fica mais fácil assimilar a energia do guardião e da falange que trabalha.
Mas, um grande risco hoje em dia, é que, sabendo o nome, algumas pessoas procuram na rede mundial de computadores tudo sobre aquela entidade, encontrando pontos cantados e riscados, trabalhos diversos positivos e negativos, e, desta forma, deixam de respeitar a individualidade daquele ser que com ela trabalha na evolução.
Apressando o processo, deixa-se de lado a manifestação mediúnica espontânea.
Alguns se iludem com nomes de grandes falanges, ou se ligam energeticamente a falange do Exu ou Pombagira, “nomeado” pelo seu Pai ou Mãe de santo, e, que em muitos casos, não são os verdadeiros guardiões do médium.
Há médiuns que não aceitam que o seu Exu ou a sua Pombagira, tenham o nome desconhecido, ou de uma falange pequena e pouco divulgada.
Constantemente observamos isso, um exemplo, é de uma médium que não aceitava trabalhar com o Guardião Exu Corcunda, ela achava o nome estranho e não dava crédito para suas próprias forças. Foi a segunda pessoa na minha vida que conheci, que manifestava o Exu Corcunda.
Depois de conhecer melhor suas forças e mistérios, e, trabalhar com fervor a mediunidade, passou a aceitar normalmente o amigo espiritual, e compreende que mais vale o seu trabalho do que seu nome.
Anos atrás, existiam falanges de exus que hoje estão extintas ou estão adaptando seus nomes a nova realidade da religião.
Falo com a simplicidade de um modesto pesquisador, pelo que conheço e acompanho pelos meios virtuais de comunicação no País.
Alguns exemplos, que me recordo são: Exu Calunga, Exu casamenteiro, Exu Chama Dinheiro, Exu Destranca Rua, Exu Matança, Exu Mulambo, Exu Mau Olhado, Exu Quebra Galho, Exu Tranca Gira, Exu Tranca Tudo, Pombagira Maria Bonita, Pombagira das Almas, Pombagira Menina, Pombagira Mocinha, Pombagira Sete Calungas, Pombagira Sete Chaves, entre tantos outros nomes.
Percebo que, se alguns destes citados não se extinguiram, mudaram e adaptaram os seus nomes para a nova realidade da Umbanda, acompanhando a evolução humana e religiosa.
Uns deles passaram a ter o nome Sete acompanhando o nome de origem ou de força.
O Exu Facada quase não vemos mais nos terreiros, mas vemos o Exu Sete Facadas, assim como o Exu Catacumba, vemos bastante o Exu Sete Catacumbas, Exu Lira vemos o Sete Liras, Exu da Estrada vemos o Sete Estradas, Exu Brasa vemos o Exu Sete Brasas, Exu Porteira vemos o Exu Sete Porteiras, e assim por diante.
Podemos dizer que seja uma evolução da própria falange, que passou a trabalhar com as sete energias divinas, ou, talvez realmente se extinguiu a anterior e surgiram as novas falanges de Sete.
O Exu Tranca Rua, parece ter atualmente a maior falange existente, e alguns que desapareceram dos terreiros, como Exu Tranca Gira, Exu Tranca Tudo, Exu Destranca Tudo, etc, devem ter de alguma forma se filiado a falange de Tranca Rua, justificando talvez o desaparecimento destes citados, e a grande expansão da falange.
O Exu Casamenteiro tem seu nome pelo sincretismo com Santo Antonio, o Santo Casamenteiro, atualmente vemos nos terreiros o Exu do Amor ou a Pombagira do Amor.
Exu Chama Dinheiro quase não vemos mais nos terreiros, mas vemos o Exu do Ouro e a Pombagira Maria Padilha Rica.
Exu Curador também não tenho achado nas giras que visito, mas, vemos vários Exus trabalhadores nas falanges de cura.
E todos esses nomes reforçam a tradição, que Exu e Pombagira vem nos ajudar e nos equilibrar, nas necessidades que temos no plano material referentes ao amor, a prosperidade e a saúde.
Muitas Pombagiras também desapareceram dos terreiros, e vemos mais constantemente os nomes de Maria Padilha, Maria Mulambo e Maria Farrapo.
Algumas acompanhadas de nomes como das Almas ou do cruzeiro, entre outros.
Outras designando luxo e prosperidade como Maria Padilha Rica, outras propondo poder em meio energias densas como Maria Mulambo do Lixo.
Sobre as Pombagiras, também surgiram muitas falanges de Pombagiras Ciganas, quase que miscigenando a idéia de serem a mesma coisa, Pombagiras e Ciganas.
De tempos para cá surgiu na Umbanda também em algumas vertentes a Linha de Pombagiras Mirins e a Linha dos Malandros.
Assim como acontece com muitos Exus Mirins, que usam nomes a partir das falanges dos Exus no diminutivo: Caveirinha, Toquinho, Pimentinha, Brasinha, etc. Várias Pombagiras Mirins também usam os nomes das Pombagiras no diminutivo, Padilhinha, Mulambinha, Rosinha, etc.
Mas, isto não é regra, são exemplos de alguns casos em que os trabalhadores mirins devem atuar na mesma força dos Exus e Pombagiras que levam o nome, por outro lado, existe uma infinidade de nomes de Exus e Pombagiras Mirins, demonstrando a individualidade de cada entidade e seus mistérios espirituais.
A linha de malandros também vem nos apresentando a ligação com os Exus e Pombagiras e seus mistérios, e com eles vem o crescimento de falanges como Maria Navalha, Maria Farrapo, Zé Pelintra, Zé Malandro, entre tantos.
Enfim, apresentamos um breve ponto de vista sobre os nomes dos Exus e Pombagiras, sobre alguns que estão desaparecendo e outros que vem surgindo.
Porém, frisamos e aconselhamos ao irmão leitor, que antes de saber o nome de seus guias, vamos nos entregar à oportunidade de servir a Umbanda através destes mensageiros e mensageiras maravilhosos que trabalham pela lei divina.
Vamos conhecer suas forças espirituais e seu modo de agir e trabalhar em prol da caridade e do equilíbrio energético de quem os procura.
Vamos enfim, e sobretudo, analisar o teor da mensagem que estes importantes amigos nos trazem, pois, mais vale sim, a sua mensagem do que o seu nome.
Tem muito mais valor o seu trabalho, as curas que opera, os caminhos que abre, as feridas que fecha, o acolhimento que pratica, o consolo que nos direciona pelas palavras, do que o seu nome.

Saravá Fraterno!


Hélio DoganelliFilho ( Pai Hélinho de Oxalá )
Dirigente Espiritual do Centro de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola
Poeta e Escritor / Artista Plástico e Escultor Religioso
Whatsapp 11-9.6868-8242

Texto publicado na Revista do Leitor Umbandista / Edição 08 - Janeiro/2019
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