quinta-feira, 18 de abril de 2019

CHOCOLATE E CARIDADE




Saudações irmãos leitores, costumo escrever reflexões para nossa reforma íntima e evolução, e, desta vez, não será diferente.
Estamos em época de páscoa, de semana santa, a quaresma terminando, tradições estas provindas da religião católica, mas, que é viva e usual em muitos terreiros de Umbanda.
A páscoa deve representar a confraternização entre as pessoas, e, o renascimento interior, de cada indivíduo.
Deixando as questões religiosas de lado, sabemos que, assim como em muitas datas comemorativas, na páscoa também existe um forte comércio, principalmente no setor alimentício, com a tradição de comer peixe na semana santa e principalmente na sexta feira da paixão, assim como, com ovos de chocolate.
É obvio que as crianças, já admiradoras de doces e chocolates, ficam maravilhadas com tantas opções, e, se empenham em seguir todas as regrinhas determinadas, para que o coelhinho de páscoa lhes traga um ovo de chocolate.
E, nós, desejamos presentar nossos filhos, nossos sobrinhos, enteados, afilhados, parentes e amigos com chocolate, nos mais diferentes formatos.
Entramos também na maratona “chocolatícia” e não resistimos a variedade de doces e guloseimas no comercio em geral.
Se olharmos ao redor de tanta fartura e exagero na mesa de alguns, vemos a fome e miséria em muitos que nem mesa tem, famílias inteiras de moradores de ruas, Pais e Mães sem emprego em meio a imensidão de desempregados no país.
Seguindo nesta linha de reflexão, com nossa mesa farta, com o bacalhau de valor absurdo e os ovos de chocolate enfeitados e recheados de brinquedos. Ou, talvez, nem para nós seja assim, de tanta fartura, mas, ainda que simples seja nossa semana santa e nosso domingo de páscoa, vamos confraternizar...
Vamos confraternizar com nosso próximo, perdoar os inimigos, reaver amizades desfeitas por motivos chulos, reatar e reaproximar o ente querido que se afastou por desavenças.
Vamos amar o próximo como a nós mesmos, o próximo que está nas ruas, sem casa, sem teto, sem mesa, sem amparo, sem comida para suas crianças.
Vamos sair às ruas neste dia de páscoa, independente de crença religiosa, levemos o amor e o carinho, preparemos uma ou duas marmitas, alguns pedaços de chocolate, e, vamos levar a estes irmãos em desamparo.
Nossa riqueza está na alma, a caridade e o amor ao próximo é lei de Umbanda, e, devemos praticar todos os dias, em todos os lugares, não somente no terreiro em dia de gira.
Nosso tesouro verdadeiro é esse, o amor ao próximo, e se representamos o amor entre nossos familiares com ovos de chocolate, vamos levar pedaços de chocolate e marmitas a estes irmãos que necessitam.
Até que isso se torne uma constante, e um mutirão expanda esta ação todos os dias, e não somente, no dia de páscoa.
Em qualquer ato de amor ao próximo estamos representando a lei de Deus. E, assim é nossa Umbanda, servidora das leis divinas.
Este é o simbolismo, assim é a umbanda, chocolate e caridade entre todos, é uma forma de amar a todos os seres humanos.

Hélio Doganelli Filho (Pai Hélinho de Oxalá)
Dirigente Espiritual do Centro de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola
Poeta e Escritor / Artista Plástico e Escultor Religioso
Desenhista Idealizador da Turma do Axézinho
Whatsapp: (11) 9.6868-8242

Texto publicado na Revista do Leitor Umbandista / Edição 11 - Abril / 2019


segunda-feira, 1 de abril de 2019

FORÇA NA LADEIRA




“...na ladeira ninguém vem, você mesmo não se aguenta, pois, a ladeira é um vaivém;
Parece, mesmo com a vida, tem subida, tem descida...”

Trecho do poema: Ladeira da Gamboa de Jorge de Lima
Poemas Negros – Lacerda Editores

Nosso sobe e desce diário na luta material, nossa busca religiosa e evolutiva, são representados neste poema de Jorge de Lima, assim como no provérbio que diz: "A descer, todos os santos ajudam; para cima, é que as coisas mudam".
Assim é nossa vida de um modo geral. Tendo em consideração que descer é mais fácil que subir enquanto caminhamos na lida capitalista.
Mas, e no sobe e desce da caminhada evolutiva?
Segundo o estudo espírita, ninguém regride (desce), na evolução. Ou evoluímos ou ficamos estacionados no grau que estamos.
Neste planeta de provas e expiações, não há quem esteja livre de provações. E sempre acreditamos que nosso problema, nossa provação é maior que de qualquer outro ser humano.
É normal ainda, ao passarmos determinada fase difícil, uma certa provação, logo vir outra, de outro nível, com outro contexto.
Embora desejamos e buscamos a evolução, estamos totalmente, ligados as buscas materiais, e, nestas fases de provação material, nossa fé, por vezes enfraquece, muitos não suportam as provas e blasfemam, trocam de crença religiosa, e muitos, tem atitudes piores de agressão a outros, ou mesmo, à própria vida.
Será que nestas quedas, os santos, orixás, guias de luz, nos ajudam a descer, a cair? Como é citado no provérbio.
Muitas pessoas culpam a Deus, aos guias, a religião pelos seus infortúnios.
Tanto a subida como a descida, na ladeira da vida, estamos acompanhados pelas afinidades espirituais que sintonizamos conforme nosso padrão vibratório, e, na descida vibratória, alguns seres de baixa vibração se filiam a nós certamente, assim como, ao elevarmos nosso padrão vibratório, estamos abrindo o acesso aos espíritos bons que nos auxiliam.
Devemos ter a certeza sim, que nas quedas, e nas mais duras provações, Deus está conosco, os orixás, santos, guias, anjos e mentores conforme nossa crença.
Eles não nos ajudam a descer, e sim estão ao nosso lado tentando nos indicar caminhos, nos trazendo conforto e consolo, nos estimulando a ter fé e esperança sempre, para elevarmos o padrão vibratório.
Desta forma, cabe a nós mesmos estarmos sempre em harmonia e exalando boas vibrações, o equilíbrio é essencial para sintonizarmos com as forças divinas, devemos ter perseverança para enfrentar as pedras e espinhos em nosso caminho material, para consequentemente subirmos um pequeno degrau na caminhada espiritual.
Orar sempre e vigiar contra os maus pensamentos.  Estando assim, nesta boa sintonia vibratória com o universo, mesmo balançando, caindo, descendo, teremos força para nos levantarmos e prosseguir.
Orar e vigiar sempre, para assim, nos ligarmos as forças divinas, que nos auxiliam nos degraus evolutivos e nos trazem energias para as batalhas materiais.
Assim podemos pensar o provérbio de forma diferente: “Para cima, todo santo ajuda”.
Esta é a realidade. Para enfrentarmos tudo, nos reerguer e prosseguir, nossa fé nos traz a força divina.
Não importa a crença religiosa, pois está registrado na história da crença humana que: “Onde houver mais de uma pessoa em nome de Deus, ele estará presente”.
Em resumo a fé em Deus é a nossa força na ladeira sempre.
Saravá e Axé sempre!


Hélio Doganelli Filho ( Pai Hélinho de Oxalá )
Dirigente Espiritual do Centro de Estudos Religiosos e Espirituais João de Angola
Poeta e Escritor / Artista Plástico e Escultor Religioso
Whatsapp 11-9.6868-8242


Texto publicado na Revista do Leitor Umbandista / Edição 10 - Março/2019
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